Hashtag Sou Feliz!

Com um suspiro aborrecido, enfiou-se no vestido comprado. Domou o assanhamento dos cabelos e do ânimo; e abrandou a aspereza ressentida na pele desses tempos de solidão forçada.

Do closet de prateleiras apinhadas, foi servindo-se de tudo que a carência lhe exigia.

Do batom vermelho, uma sensualidade teatral;

Do salto alto, a firmeza de quem se basta;

E dos brincos, anéis e pulseiras, toda a sorte de amuletos contra a obscuridade.

Confrontando o espelho, censurava desgostosa um espectro lânguido e apequenado de si mesma, que despontava por entre suas curvas e carnes bem moldadas, e porque desejava o oposto, demorou-se na maquiagem e se impregnou com uma fragrância decididamente insinuante.

Bolsa pendurada numa mão, celular na outra; e à espera do elevador, distraía-se com as mensagens dos amigos, de quem mal sabia o óbvio. Estando quase todos presentes, a arrumação de horas ganharia recompensa à altura.

Já no restaurante, desfilou com mansidão da entrada à mesa em um corpo um tanto empinado.  Na face um olhar sem pousar em coisa alguma e certos ares de beleza convicta arrematavam até a última gota de atenção.

Abraços e beijos quase anônimos, gargalhadas avantajadas e uma troca ruidosa de desencontros. Todos falavam de si e para si, estapeando-se pela tão sonhada distinção. E aos poucos, as sobras do fim de semana manchavam os seus semblantes com o desânimo da segunda-feira.

Conta paga, despedidas encerradas e a missão de domingo devidamente desvivida.

De estômago pesado e coração ainda mais oco, ela entra em casa, acende a luz, atira as coisas no aparador, se livrando em seguida dos saltos e do sutiã. Uma pitada de delineador se esparrama nos cantos dos olhos e o corpo, melado de poeira, suor e cheiros de noitada despenca cabisbaixo no sofá; ali, pressentindo mais um encontro penoso com suas urgências inconfessáveis, deixa-se esquecer perambulando pelas curtidas e comentários sobre a sua incrível noite de domingo!

Aline Oliveira.

São Paulo, 19 de Setembro de 2016.


A primeira vez a gente nunca esquece! 😛

Esse é o meu primeiro texto feito “por encomenda” (tarefa do curso de iniciação literária).

Ontem tive que lê-lo para a turma toda. E para piorar, fui “premiada” com a tarefa de ser a primeira da fila! 😮

Eu, que até pouco tempo desfrutava desse lugar quentinho chamado zona de conforto, agora lidarei com o desafio constante de ser cobrada, avaliada, criticada, elogiada e questionada 2 vezes por semana por quase 30 pessoas (20 poucos alunos e 2 professores).

Efeito pré-dia D: insônia, ziquesera estomacal, ansiedade e 3 dias escrevendo aqui, editando ali até chegar ao ponto “para que se mexer mais que isso o treco desanda”.

Efeito pós-dia D: alívio, felicidade por ter recebido muitos elogios do professor e dos colegas e apenas uma crítica técnica.

Saldo: mega hiper blaster positivo!! Amei. Onde a gente compra mais disso? :v :v

Quem quiser entrar na vibe e deixar comentários, perguntas e críticas sobre o conto, estamos aí.

 

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