São Paulo – Primeiras Impressões de Uma Carioca

Perto de completar 3 meses morando em Sampa, acho que já posso enumerar algumas observações um tanto consistentes sobre esta terra do corre e corre.

Infelizmente, eu não zanzei o quanto gostaria, mas mesmo assim, tenho os meus pitacos.

  1. Nomes de ruas e avenidas – Aqui é comum uma rua ter um nome até certa altura e de repente ganhar outro mesmo sem ter mudado de bairro. Já passei uns perrengues por isso e ainda não saquei a lógica da coisa.
  2. No Rio, para descer todo santo ajuda. Aqui parece que é o contrário. O que vejo de escada rolante para descer e escada comum para subir não está no gibi. Acho que os santos de São Paulo querem que a gente vença o sedentarismo.
  3. Paulistas não conhecem a palavra meio-fio. Para eles calçada já está de bom tamanho. Daí eu explico que meio-fio é a bordinha da rua e não por onde a gente caminha e ficamos entendidos.
  4. Definitivamente, São Paulo tem uma relação bem mais próxima com as línguas tupi e guarani. Os nomes de alguns bairros e ruas são tão exóticos para mim que alguns eu nem consigo pronunciar de primeira.
  5. Paulistas têm obsessão com a palavra vila. Existem pelo menos uns 357 bairros que começam por esse nome. Isso me lembra à Turquia, onde o costume é igual. Köy está por toda a parte. Kadikoy, Yesilkoy, Erenkoy, Bakirkoy…. Isso só em Istambul.

E eu vou parando por aqui porque não consegui lembrar de mais curiosidades e porque fazer um top 5 é legal.

Beijão!

Convicta aos 20, Indecisa aos 30

A frase “Sei que nada sei” só poderia ter sido dita por um gênio mesmo, porque quanto mais ignorante a criatura é, mais certezas esbraveja pelos quatro cantos da Terra.

Aos 20 eu tinha 100% de convicção sobre o que queria, o que não me servia e, pasmem, quem eu era. (Pausa para aqueles risos descompensados que esvaziam os pulmões).

Hoje com quase 30, estou começando a me dar conta de que o que sei é meia gota e o que não faço nem ideia de que existe é oceano (na verdade, é a soma de todos os oceanos deste e de todos os outros mundos onde exista água).

E tudo bem!

A vida é para ser vivida e não intelectualizada.

O tanto de ciência que preciso ter sobre ela para não me sabotar em tempo integral se acomoda bem nos meus domínios.

Aprendi a lidar com as poucas crenças que me restaram e até a apreciar essa mobília minimalista que se instalou por aqui.

As coisas que ando lendo e fazendo só desmantelam ainda mais minha ilusão de segurança e, passado o chororô do apego, eu me sinto o máximo.

É como se livrar de 1 tonelada de tranqueiras e, em vez de se sentir perdida, descobrir que era exatamente esse excesso de distrações que estava embaçando a visão.

Às vezes, a vida me deixa nua para eu perceber que aquela roupa era apenas um acessório e não a minha pele.

Beijos e até a próxima!

a21

E Se Eu Fosse Um Deles?

O que uma mulher normal faz para aliviar a selvageria da TPM:

  • Come chocolate
  • Desabafa com alguém
  • Procura algo divertido para fazer
  • Fica quieta no seu mudinho
  • Qualquer coisa que NÃO piore a situação

E o que a Aline resolveu fazer:

  • Decidiu assistir a um documentário nível Jogos Mortais de tanta desgracença com um simples detalhe: NADA era ficção. Dezenas de pessoas reais contando dramas tremendamente reais.

Resultado: Chorei uns 20 baldes em cada olho por quase 3 horas, saí do cinema e continuou o aguaceiro pela Augusta, pela Paulista e foi indo até a faculdade.

Quis gravar um vídeo sobre o tema na época, mas achei mais seguro vir aqui fazer este post, pois o apego à compostura falou mais alto.

Bom, isso me aconteceu há algumas semanas. Não sei exatamente quando porque matemática e memória são minhas deficiências mais extravagantes. Mas a questão é:

  1. O documentário é de cortar o coração de um sanguinário? É.
  2. Você corre o risco de se sentir um lixo desalmado por não tentar salvar o mundo? Sim.
  3. Ele pode soterrar várias crenças que você tem sobre justiça social? Pode.

Mas ainda assim, eu recomendo. Vale a pena confrontar a sua realidade com a de pessoas com vivências, crenças e histórias completamente distintas das suas.

Essa é uma ótima oportunidade para dar mais valor à vida e rever certos conceitos tão comumente propagados como se fossem irrefutáveis.

Algo em mim mudou para sempre depois dessa experiência. Ainda não calculei a magnitude da coisa, mas eu sei que eu me tornei um pouco mais sensível à dor alheia e um tantinho menos mimada e exigente com o que acho que mereço ter para chamar de meu.

Beijos e até a próxima, pessoal!

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Se Joga!

Nem sempre aquilo que faz o seu coração vibrar é algo socialmente vantajoso e/ou o caminho mais previsível.

Você pode ter nascido no campo e ter a alma de cidade grande, que se encanta com arranha-céu e frenesi;

Pode ter crescido em São Paulo e só se encontrar numa cidadizinha do interior com cheiro de terra, flores e fruta madura;

Pode ter sido criado para o mundo e precisar mesmo é de uma família tradicional com 2 crianças, um gato e um cachorro.

Ou ter aprendido que a vida certa é aquela que segue os costumes e valores do seu meio, mas um belo dia se descobrir numa comunidade alternativa do outro lado do mundo;

Enfim, o melhor para você não pode ser ensinado e dado pelos outros porque você e tudo aquilo que te nutre NUNCA existiram antes.

Não há fórmula mágica, não cabe numa rota linear e eterna.

Tudo mudará o tempo todo, mas se você estiver em si e não no mundo, cada recomeço fará todo o sentido e sua existência se sentirá honrada.

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