Coisas de Mulher Inteligente

Nesta vida, uma régua invisível separa os adolescentes dos adultos e isso não tem muito a ver com idade. Conheço pessoas acima dos 40 com mentalidade de pré-adolescente. Chega até a dar um mal estar.

Assim fica fácil entender o sucesso dos gurus virtuais em forma de conselheiros amorosos. Eu, quando percebi a possibilidade de ser transformada em um, caí fora. Ou melhor, ainda estou caindo porque meu inbox tá sempre cheio de relatos não solicitados sobre a vida amorosa alheia.

A minha birra é só uma: não percebo nas pessoas, de um modo geral, a intenção genuína de CRESCER e andar com as próprias pernas. A maioria esmagadora quer fórmulas mágicas e soluções paliativas para suas urgências românticas. Muitos terapeutas dizem o mesmo.

E então eu penso:

Se eu dou um duro danado para me resolver como posso e sair da puberdade existencial, por que os outros não podem? Por quê?

E no embalo do assunto, quero elencar o que eu observo nas mulheres poderosas e bem resolvidas que conheço, aquelas que em vez de engolir milhares de conteúdos sobre como caçar e amarrar um homem, preferiram tocar suas vidas, aprender com experiências reais e ter o árduo trabalho de contrapor crenças e resultados para corrigir erros e potencializar acertos.

A mulher inteligente:

  1.  Escolhe o cara certo para si em vez de se moldar a qualquer um que apareça.
  2. Já sabe a diferença entre estar acompanhada e ser um depósito de esperma.
  3. Não perde tempo com os imaturos, indecisos e canalhas. (Sabe que ninguém muda ninguém)
  4. Enxerga o homem em vez de idealizá-lo. (Já superou o efeito Disney)
  5. Tem suas prioridades e condições predefinidas. (Não aceita tudo nem banca a ditadora)
  6. Vê a relação como uma via de mão dupla e está disposta a negociar e ceder.
  7. Quer um companheiro e não uma bengala para as suas carências.
  8. Acredita que quem quer, dá um jeito e quem não quer, uma desculpa.
  9. Conhece suas qualidades e defeitos com clareza.
  10. Não diz uma coisa pensando outra e evita os dramas e joguinhos (pelo menos quando os hormônios deixam).

Que as pessoas escolham o caminho da evolução porque consciência e vergonha na cara não fazem mal a ninguém!

Tô meio azeda hoje.

Beijos e até a próxima!

Turquia – Aşk Bitmez

Certos começos são o prelúdio de uma vida de reencontros que não cessam nem se perdem em sentido ou motivação. Por isso falar da Turquia é relembrar para onde volto em nostalgias sucessivas.

Ela me ensinou, do jeito mais rente e cortante, o que é saudade. De lá, chorei o Brasil distante repetidas vezes e de cá, o peito se aperta amuado pelo que ficou sem colo nas águas, aromas e tons de Istambul.

turkiye

Alguns amores são brandos e convenientes, se acomodam satisfeitos num espaço qualquer da nossa casa e ali moram sem grandes sobressaltos. Outros chegam trazendo a tempestade como aliada, reviram, desarmam e exigem para si o melhor quarto com mordomias em fila.

Assim foi com a Turquia e desconfio que só me resta aceitar; acatar que uma amante de história e temperamento tão intempestivos,  marcada por passionalidades viscerais e inexplicáveis, não poderia tocar sem cunhar.

Que o nosso próximo encontro (pelo qual espero com alegria) seja amplo. E que nele caiba a imensidão da minha fome.

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O que Seria de Mim?

Por um instante qualquer cogitei nunca ter escrito coisa alguma, nunca ter sabido imprimir nas palavras parte do que me transpassa.

No momento seguinte, me vinguei escrevendo!


Rendida

Despida

Passiva


Pouco me sobra

Tudo me laça


E então…


Quando sou fúria sentida e pensada

Deito nas linhas

Memórias esparsas


É a agudeza

Que encharca e devasta


Ou a tristeza

Que adensa e maltrata


E o que falta

de trama ou destreza

Cabe ao silêncio

Que tudo arremata

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Ostra Feliz Não Faz Pérola

Seria ótimo poder aprender sempre com as experiências agradáveis e sutis, mas a verdade é que só o desconforto em forma de crises, rupturas, dores e/ou portas fechadas é que promove o nosso desenvolvimento mais profundo e nos faz passar de fase.

Quando tudo vai bem e temos exatamente aquilo que queríamos, nada de muito substancial acontece além do prazer momentâneo.

Minha vida sempre foi um eterno fazer e desfazer de malas, fechamentos e aberturas de ciclos e não raramente, percebi nos outros aquele olhar “você é louca”.

Sim, sou muito louca e totalmente avessa à chamada normalidade social, que não passa de uma convenção artificial incapaz de acomodar todos os sonhos e almas espalhadas por este globo giratório.

Então, vamos encarar essa bagaça de cabeça erguida que o lucro é maior.

Entre uma vida de banalidades que me rouba a alma e uma montanha de desafios que a torna mais robusta, eu fico com a segunda opção. Enquanto houver vigor e loucura dentro de mim, o tédio não me acha!

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Dane-se a Eternidade – Prefiro a Certeza do Fim!

Mais uma vez, uma seguidora  lamentou o fim do meu casamento com a seguinte frase: “A gente casa para durar para sempre, mas infelizmente….”.

Ao ler essas linhas eu pensei:

Mas eu não casei pensando que seria pra sempre…. Aliás, eu NUNCA fiz nada com essa ilusão e talvez seja por isso que vivo os momentos com tanta intensidade, bebendo até o último gole da experiência.

Vai ver é justamente essa minha certeza de que nada é eterno, exceto a mudança, que me permite fechar ciclos, trancar portas, olhando para trás bem raramente.

Não, eu não casei achando que duraria até que a morte nos separassem e acho que grande parte das pessoas pensa o mesmo (vide a alta taxa de divórcios), mas por uma questão de valores ou de etiqueta, nem todo mundo assume a realidade de que tudo na vida tem um quê de loteria – casamento, filhos, carreira, etc.

O investimento feito hoje pode se tornar completamente desastroso ou sem sentido daqui a alguns anos, pois na hora em que assinamos o contrato não fazíamos a menor ideia do montante final de riscos e sacrifícios requeridos, muito menos das circunstâncias novas que surgiriam com o tempo.

A Aline de hoje pensa, deseja e escolhe de acordo com o seu grau de consciência e necessidades. A Aline que irá colher o que está sendo plantado hoje pode não achar tão incrível essa decisão. Então, já desencanei dessa busca por coerência e linearidade. Pura furada, a vida é doida de pedra e eu não fico atrás.

No fundo, vivemos mesmo movidos pela esperança, a esperança de que continue valendo a pena e de que o bônus supere o ônus.

Enfim Só!

Eu nunca fui das mais sociáveis. As doses cavalares de solidão de que preciso para estar bem e uma certa preguiça em construir novos laços sempre foram meus pretextos para viver no meu casulo.

Hoje em dia, ao pensar em todos os filmes incríveis que não poderei ver e nos livros que mudarão minha vida, mas que ainda não descobri, me sinto tentada a hibernar eternamente no aconchego do meu quarto, dentro de uma roupa confortável e com a cara lavada.

Às vezes, também dá medo de endoidar (de vez) ou perder a conexão com o mundo lá fora. Daí me lembro que eu saio umas duas vezes por semana só para ver gente e converso com amigos e familiares com certa frequência.

O mais legal de preferir a solidão é que o contato com os outros ganha um significado mais exuberante.

Por passar a maior parte do tempo sozinha, uma simples viagem de metrô me distrai horrores e a conversa com alguém interessante reverbera dentro de mim por horas e horas  justamente por não ser algo vivido com tanta regularidade.

Aproveitando o assunto, deixo uma dica de livro para os amantes do voo solo.

Amor, Liberdade e Solitude – Osho.

Esse foi o primeiro livro que comprei de volta ao Brasil (fim de março de 2016). Muitas respostas me foram respondidas e novas perguntas suscitadas por ele. Recomendo para quem gosta de se analisar e curar.

Beijos e até a próxima! 😉

asl

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Top 5 – Vantagens de Ser Mulher

Até o início da minha adolescência, sentia um certo desdém em ter nascido mulher por perceber intuitivamente que ser homem era sinônimo de ser mais livre e menos julgado.

Com o tempo esse ranço passou e a cada dia que passa me sinto mais orgulhosa em ter cromossomos XX.

E pensando nisso esses dias, me veio a ideia de listar as vantagens de ser femme.

Vamos ao que interessa!

  1. O direito de ter e expor nossos sentimentos. A nós mulheres, o choro e os dramas são mais permitidos. Socialmente isso nos cai bem e não precisamos pedir licença para isso.
  2. Ter peitos. Para tudo que isso é o máximo! Minha comissão de frente é uma das coisas que me tornam mais feminina e eu ADORO tê-las.
  3. Uso maior da linguagem verbal. Não é segredo para ninguém que as mulheres, em geral, falam muito mais que os homens e tendem a ser mais capazes que os homens de traduzir seus estados de espírito por meio da fala.
  4. Poder pedir e usufruir do amparo alheio sem muitas censuras. Um homem que precise de colo ou ajuda financeira vai se ver bem mais restrito e intimidado porque a cartilha com o que um “macho de verdade” pode ou não fazer é bem rígida nesse sentido.
  5. Não temos que defender a nossa feminilidade tanto quanto os homens são induzidos a proteger a virilidade esperada deles. É claro que também somos cobradas no quesito aparência e bons modos, mas nada comparado à patrulha escrota que os rapazes sofrem para não terem atitudes tidas como afeminadas.

No final das contas, tanto homens e mulheres se beneficiam de privilégios e sofrem com os estigmas típicos de cada gênero. Então, não importa de que maneira você veio ao mundo, a sua natureza biológica sempre lhe proporcionará uma experiência agridoce. Que todos possam encontrar um lugar de conforto em si mesmos e viver bem conciliado com seus prós e contras.

Beijos e até a próxima! 😉

Que Tal Pagar Para Morrer?

A dica de hoje é bem incomum – o filme francês La Vanité.

Um senhor com câncer em estágio avançado e sem nenhum laço afetivo que o conforte, resolve contratar uma clínica especializada em eutanásia assistida.

Quando o momento do desapego chega, uma série de confusões e surpresas tornam o procedimento de poucos minutos em uma odisseia que dura a noite toda.

Divertido, inusitado e dramático, o filme me prendeu do início ao fim.

Uma das coisas que mais me fascinam na ficção é a possibilidade de “viver” histórias que em nada se assemelham à minha, e as confusões entre David Miller (o candidato a morto), Esperanza (a funcionária da clínica) e Constantin (um garoto de programa que vira testemunha do ato) atendem muito bem a essa expectativa.

E a pergunta que não pode faltar:

Você teria coragem de pagar para morrer?

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Nahid – Outro Olhar sobre a Mulher Muçulmana

Divórcio, ex-marido drogado, renda insuficiente, filho adolescente em fase rebelde e um novo amor fora dos padrões. Trama bem ocidental, não é? Mas dessa vez, o cenário é bem menos familiar e com um desafio extra – a rigidez da tradição islâmica para acentuar ainda mais o drama.

É claro que a vida da mulher muçulmana continua sendo muito limitada pelos costumes, mas este filme mostra o paradoxo entre a tradição e a modernidade, me fazendo lembrar de imediato da cultura turca.

Morei quase 4 anos em Istambul e pude sentir de várias formas essa mescla entre o conservadorismo e as demandas do século 21 que também ocorre no Oriente.

O filme é denso, mas também com um pouco de humor e uma pitadinha de suspense. Recomendo para quem gosta de fugir dos lugares comuns.

Viva o cinema alternativo. Adoro! 😉

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