O Coleguinha Não é Nosso Tamagotchi

De um lado, o egoísmo estrutural que nos faz pensar em nosso próprio umbigo quase sempre, do outro a mania irritante de achar que a vida do outro é uma extensão siamesa da nossa. Estranho né, mas é bem assim que as coisas funcionam.

Fulana trai o marido, beltrano é beberrão, o filho da vizinha é gay, a filha da patroa dá para Deus e o mundo. E daí, gente?

Fico me perguntando que impacto prático isso tem nas vidas dos não envolvidos. Por que damos tanto ibope?

É claro que a fofoca é um mata-tédio clássico e eu não vou me fingir de santa. Evito o quanto posso, mas adoro ficar sabendo dos bafos em andamento. Só acho que muita gente perdeu (ou nunca nem encontrou) o bom-senso de discernir quando pode ou não dar pitacos na vida alheia.

Nesse quesito, eu sou radical. Cada um no seu quadrado, não se meta com as minhas andanças porque delas cuido eu (exceção aberta apenas para os íntimos que aturam meus desabafos de vez em quando).

Poucos direitos me fascinam tanto quanto liberdade e privacidade. E acho a coisa mais chique do mundo aquelas pessoas que já vêm com um sensor de conveniência de fábrica, que pedem licença para entrar na sua vida e tocam o seu mundo com delicadeza.

Essas valem a pena abrir a porta, pôr a mesa e dizer: fique à vontade!

Beijos e até a próxima. 😉

6 comentários sobre “O Coleguinha Não é Nosso Tamagotchi

  1. Excelente texto! E também tem o lado inverso: dos que despejam os problemas na gente, achando que somos íntimos para isso – e sem perguntar se estamos num bom momento para atendê-los. Porque a urgência deles é sempre maior que a nossa! Só pra ilustrar: uma vez uma cliente entrou e contato conosco, tocou todos os telefones de casa isso 22h30 porque tinha brigado com o namorado usando o google tradutor e mesmo meu marido informando que eu “estava muito doente-ia passar por uma cirurgia no dia seguinte-está dormindo” ela ainda insiste “ah mas fale para ela ver a tradução que eu enviei se ela se acordar”. Só por Jesus mesmo…

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    1. Acho que esse tipo de invasão é resolvido com um simples #NãoSouObrigada. Os outros sempre batem, mas a decisão de abrir ou não a porta é sempre nossa. Eu também sou bombardeada com várias mensagens diárias sobre dramas com o namorado turco e não estou nem aí. Aprendi a ignorar. A partir do momento em que eu decidi parar de respondê-las por perceber que não me acrescentam em nada, eu literalmente parei de respondê-las rsrsrs. Dizer sim querendo dizer não é algo que tento abolir da minha vida por ter me dado conta do quanto isso me faz mal. Obrigada pela visita. Bjs.

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  2. Amei seu texto, tenha pavor de gente que se apropria da vida alheia, como você disse não somos santas e gosto de saber dos bafhos que estão rolando, mas daí meter o dedo e achar que pode saber mais do outro que ele mesmo é coisa doentia, já passei por isso de ter gente se metendo e resolvendo os meus problemas como se fossem deles, por isso só contos coisas pessoais para pessoas íntimas que posso confiar hahaha.
    Beijos linda.

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  3. Muito bom. Sinceramente, já me diverti com bafões… mas com o tempo vamos descobrindo que, ao nem fazer fofoca e nem participar delas, isso nos coloca em uma frequência muito mais expandida do que a de se meter na vida alheia.
    O resultado: ficamos mais Zen, mais preservados, as pessoas até podem falar de nós pelas costas, mas ficamos meio “imunes”, pelo simples desinteresse…

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