Sexo Frágil x Sexo Forte – Ressalvas Importantes

Essa coisa de definir homens como os portadores da força e mulheres como as guardiães de toda a delicadeza do universo me parece pura ingenuidade e incoerência. A espécie humana, como um todo, é intrinsecamente frágil e forte ao mesmo tempo.

Então, se a natureza humana é tão insubmissa e escorre para tantas vertentes distintas, para que diabos tentamos racionalizá-la ao extremo?

Para que nos reduzir a qualquer tipo de paradigma, seja ele biológico, seja ele cultural?

Ando lendo muito Osho e este mês comecei com Jung. E de todo o manancial de sabedoria que esses dois divos me proporcionam, o que mais me emociona é perceber o quão conscientes eles se tornaram a respeito dos mistérios da vida.

Nós somos presença humana inédita e irreplicável! E isso precede qualquer conceito filosófico ou científico que a mente humana possa conceber.

O grau de raridade que carregamos em nossas veias e nos estados de espírito para os quais somos morada é o que dá a medida de nossa natureza e circunstâncias.

Por isso que é impossível conhecer a humanidade (esse termo não passa de uma abstração). Só existem homens e mulheres a serem desvendados. E o único caminho é o do contato individual guiado por um olhar atencioso e desarmado.

Não sou contra estudarmos as diferenças fisiológicas e psicológicas entre homens e mulheres, pois elas existem sim e merecem nossa atenção. O que me irrita são os títulos e rótulos enxertados à força, superestimados em detrimento do que de fato acontece em nossas entranhas.

Já vi tanta vulnerabilidade nos olhos de homens feitos e tanta força por trás das lágrimas de muitas mulheres….

A razão é um dos trunfos mais valiosos do ser humano, mas a inteligência não se encerra nela. Existem outros degraus para a consciência superior, que é o cruzamento de neurônios e sensibilidade, teoria e prática, lógica e intuição, feminino e masculino.

Quando a sabedoria reina, os opostos deixam de se repelir e passam a se complementar.

E eu encerro com o divo, o deuso, Fernando Pessoa, que amo cada dia um pouco mais.


Trecho do livro O Guardador de Rebanhos – Heterônimo Alberto Caeeiro.

II – O Meu Olhar
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender …
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar …
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

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