Se Não For Agregar, Vaza!

Quando você descobre que não nasceu para agradar ninguém, certas decisões antipáticas deixam de pesar tanto.

Não, eu não tenho tempo a perder com quem me empaca ou contribui para o meu insucesso. A vida é curta, o preço de más escolhas é alto e, entre lamentos e conquistas, eu prefiro colecionar as últimas.

Conheci um senhor espanhol numa lanchonete aqui em Sampa que me deu uma baita lição de vida:

Ele: “Anoto num papel o nome das principais pessoas presentes na minha vida, e do lado dos nomes, escrevo o que cada uma me trouxe. Com isso tenho 3 grupos:

  1. As que me ajudaram/inspiraram.
  2. As que me fizeram sofrer ou me prejudicaram de alguma forma.
  3. As que foram irrelevantes.

E a partir dessas anotações, eu decido quem vai e quem fica”.

G-E-N-I-A-L

Muito obrigada, senhor Enrique (“sem H porque é espanhol”, rsrsrs)

Guardarei essa dica pra sempre.

É isso.

Faxinas em casa, na mente, nos hábitos e, principalmente, nas relações são fundamentais para uma vida mais funcional e sustentável. E isso, muitas vezes, significa se afastar da família e/ou daquelas amizades de muitos anos, o que testará a nossa resistência ao apego pela genética e arranjos de longa data.

Mas, se lhe serve de consolo, você nasceu sozinho e adivinha:

Quando morrer, NINGUÉM vai junto contigo!

Então, pra que passar a vida inteira grudado em quem não lhe acrescenta muito ou atrapalha pacas?

#NãoSomosObrigados

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Haja Sapiência

No humano mora milênios de ensaios e as ambições mais inconcebíveis, posto que somos as cavernas e as naves espaciais, o medo da morte e a transposição tecnológica.

Em nossa natureza não há absolutismos, o que fazemos, sentimos e pensamos paira sempre em uma atmosfera nebulosamente hesitante, com um oceano de suposições e dois dedos, talvez, de certezas persistentes.

E quando rasgamos rótulos, acordos e papéis, o que sobra? Quem sobra?

Sem meus sobrenomes, gênero, diplomas, endereço, contatos e ancestralidade, quem sobra?

Sem meus valores, antipatias, preconceitos, gostos, desgostos, memórias, quem sobra?

Sem meu dinheiro, mão-de-obra, apelo sexual, relevância social, quem sobra?

Sem o que dizem de mim, o que sobra?

Sem o que eu penso de mim, o que sobra?

Quem sobra?

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Não Somos Obrigados

Mulheres não são obrigadas a lidar com frases de duplo sentido, olhares e gestos obscenos (não correspondidos) só porque o cara está afim.

Essa é uma obviedade que nem sempre funciona na prática.

E os homens também não são obrigados a lidar com o nosso desejo por eles ou a simples vaidade que as mulheres têm de seduzir a todos sem querer nada com ninguém.

Antes de despejar nossas taras e luxúria por aí, é interessante contextualizar a coisa e se colocar no lugar do outro. Afinal, ninguém aqui é um paquiderme teletransportado da Pré-história, não é mesmo? (Espero sinceramente que não)

Tato e empatia melhoram qualquer convivência.

Toda relação é, em última instância, uma negociação em que precisamos rachar a conta sempre; cedendo aqui, cobrando ali.

Dá trabalho e MUITO. Quanto mais íntimo for o contato, mais teremos que lidar com o lado negativo do outro e de nós mesmos; mais seremos exigidos em termos de paciência, perdão e humildade.

As relações mais sofisticadas florescem ao ar livre e na claridade.

Nelas deixamos de enxergar no outro só aquilo que nos convém e passamos a lidar com o conjunto da obra, aceitando a imprevisibilidade humana sem surtos melodramáticos, contornando as descobertas de temperamento, hábitos e crenças; não tomando o outro nem nós mesmos como arranjos decifrados que sempre seguem um padrão linear e coerente.

Aliás, de perto ninguém é coerente. Existimos em várias dimensões e sentidos distintos que ora se sobrepõem com uma certa comodidade sem assustar muito quem vê de fora, ora colidem com toda a ira e rebelião. E é quando celebramos essa anarquia em nós mesmos que a compreensão e o amor começam a brotar.

Quando eu penetro no outro e mesmo assim não desisto dele é que eu começo a amá-lo.

O Medo de Desagradar é Uma Merda

Uma estrelinha atrapalha mais que 10 malucos. A postura agoniante de querer agradar e ser aceito por todos sem critério infesta tudo de hipocrisia e criancices.

Gente grande sabe que não existe unanimidade e, dependendo da inimizade atraída, encara isso como um elogio. Mas o mostrengo complexado que nos habita é irredutível. Ele tem fome de fãs, curtidas, aplausos e tapinhas nas costas. E mesmo que colecione 100 “concordo contigo”, passa o dia inteiro ruminando um único “você está errado” ou “eu penso diferente”.

Pra que tudo isso? Por que somos tão fominhas?

Será que Freud explica?

Ninguém precisa (nem deve) se submeter a qualquer tratamento ofensivo ou difamatório. Mas na vida temos duas opções:

viver no mundo dos adultos e aprender a lidar com suas pedras e flores

ou atrofiar no cubículo do narcisismo abrindo a porta apenas para quem fomenta a nossa vaidade.

As pessoas mais autênticas e revolucionárias que andaram sobre a Terra seguiram seus sonhos e verdades a despeito do efeito manada e da hostilidade dos ressentidos. Pagaram o preço, correram os riscos e por isso conseguiram deixar um legado maior que a sua própria finitude.

Esse é o peso, e o prêmio, da originalidade, o destino dos que ousam ser mais que um acúmulo de matéria e pó.