Caixa Eletrônico

Fazer listinha de tudo aquilo que se espera que as pessoas nos proporcionem é fácil, tá cheio de gente por aí usando de falsa delicadeza para conseguir o que quer.

O difícil mesmo é reconhecer as demandas do outro e integrá-las às nossas.

Eu posso, e devo, ter meus critérios de convivência somados a um certo grau de expectativa. Mas o coleguinha ao lado TAMBÉM.

E quem não está disposto a “negociar” (de maneira justa), nunca terá nenhuma relação que preste.

É muito cômodo dizer:

Eu te quero, eu preciso da sua ajuda ou da sua amizade.

Mas e o outro?

Será que eu sou aquilo que ele está procurando/precisando?

Será que eu também agrego valor?

Carências todo mundo tem, até porque somos animais organicamente desejantes.

E tudo bem.

O que pega mal é eu achar que a população da Terra existe para me servir como ferramenta de saciedade ou cura.

De jeito nenhum!

Primeiro que, se está dentro de mim, é problema meu e de mais ninguém.

Segundo que, antes de eu entrar e me sentar à mesa, eu preciso bater à porta e esperar que o dono da casa abra. E à medida que os vínculos se formam, os agrados aparecem e não o contrário.

O problema do ser humano é de noção de partilha e não de aquisição de recursos, pois a vida em si é abundante e sustentável.

Logo, sempre que pensamos e agimos a partir do “meu” e do “nosso” bem-estar, a riqueza é só uma questão de logística e bom gerenciamento.

No Fundo é Só Má Vontade

Na roda de amigos ou amigas, podemos até descer a lenha no sexo oposto com certos ares de superioridade, mas a verdade é que somos LOUCOS um pelo outro. E isso não tem nada a ver com orientação sexual porque a experiência da complementariedade somada ao choque da diferença beneficia a todos, hétero e homo.

Sem o excesso de racionalidade e uma certa desconexão emocional dos homens, como nós mulheres iríamos nos vangloriar do nosso dom para sentir, expressar e acatar nossas emoções?

Que graça teria os nossos choros e ataques de nervos?

Sem a fixação das mulheres em se enfurnar nas suas subjetividades, supervalorizando emoções e fatos de importância menor, como é que os homens provariam a sua competência em racionalizar a questão e dá à ela uma medida razoável?

No fundo, temos igualmente o potencial para a excelência e a alienação, para o equilíbrio entre razão e emoção. O que muda é só a forma de lidar com esses potenciais e as preferências/tendências ancestrais de cada gênero.

Então, por que a convivência íntima entre homens e mulheres é tão cheia de atritos?

Por causa do excesso de achismos e a falta de empatia.

E isso vale para qualquer relação, inclusive entre pares extremamente semelhantes (mesmo gênero, idade, classe social, nível de escolaridade, crença, estilo de vida, etc.)

Toda vez que esperamos que o outro seja uma cópia fiel de nós mesmos ou do script que montamos para ele, a relação se degrada e vira um campo de batalha.

Quando partimos do pressuposto:

Ele ou ela é outro universo particular, destacado do meu, que pensa, sente e age de forma autônoma, tudo fica menos complicado e a relação se consolida com mais harmonia.

Quem vive ou viveu a experiência do casamento já percebeu que brigamos basicamente por dois motivos:

  1. Para descarregar no outro nossos desgostos, tendo ele ou não culpa nisso.
  2. Para resolver uma crise de interesses que surgiu na relação.

No primeiro caso, nunca dá em nada construtivo. A gente se magoa, cria um estoque extra de ressentimentos e perde um tempão para restabelecer a paz em casa.

No segundo caso, a gente derruba a casa e termina se pegando na cama porque era justamente esse o objetivo – tirar do caminho o que estava impedindo o amor de fluir.

Daí a importância de atribuirmos a cada interação uma expectativa padrão. Ou seja, o que eu espero desse contato: comunhão ou desavença? E a partir disso, estabelecer os termos dessa dança.

Por razões óbvias, é simplesmente impossível se dar bem com todo mundo num grau mais íntimo (e perceber isso é obrigação de cada um de nós), mas se o foco estiver no respeito e diálogo sadio, todo mundo entra e sai de qualquer ambiente levando o melhor possível.

 

Seja Lá o Que Te Move, Não Desista!

Ainda são recentes e bem vívidos na minha memória os longos meses de angústia e desalento.

À minha volta, pessoas queridas tentando me ajudar como podiam, fazendo o que dava.

Angústia, desgosto, exaustão.

O mundo desabando por todos os lados e eu só querendo deixar de existir sem nem entender de onde vinha tudo aquilo, pois do lado de fora, a vida nunca tinha sido tão confortável, segura e tranquila.

Tive uma infância bem doída e solitária (por razões que não vou explicar, pois é uma história que não pertence só a mim), uma vida adulta alegre e cheia de conquistas, porém, seriamente prejudicada por memórias que eu ainda não possuía estrutura para superar.

Acho que só lá pelos 23 que eu passei a ser de fato feliz e a ter uma plena sensação de paz e segurança. Até às vésperas dos 28 anos, onde tudo desabou.

Bom. Só estou fazendo esse resumão da minha vida para dizer, com fatos e não com simples palavras, o que o título sugere:

Nunca desista daquilo que te move!

Nunca, em hipótese alguma!

Cansou? Descanse.

Doeu demais? Peça colo.

Perdeu o fio da meada? Peça ajuda.

Mas não desista! Principalmente, de si mesmo.

Quando me dei conta do quão doente estava, o que mais desejava era a CURA.

Eu dizia:

Menina, você foi uma guerreira a vida inteira, muito antes de ter idade pra isso. Suportou de cabeça erguida as inúmeras rasteiras que a vida “lhe deu” sem se fazer de vítima e sem endurecer o coração a ponto de fazer o mal para os outros. Vai desistir agora?

E cá estou eu refazendo minha vida, descobrindo cada dia mais motivos para sorrir e só espalhar coisas boas.

Doeu, fundo e rente, como gosto de dizer. Mas passou.

Hoje sou muito mais experimentada de mim mesma, me cuido, me escuto e me honro num grau inédito. Conheço meus sintomas de crise e os atalhos para a retomada do equilíbrio. E trato minhas fronteiras com muito mais respeito e afeição.

Hoje a vida tem para mim um colorido ainda maior, não porque seja perfeita e sem momentos tristes ou desafiadores, mas porque eu SEI que eles passam e que, se eu caí, eu levanto.

Ah, mas eu levanto!

#NãoSouObrigada

Beijos a todos e uma ótima semana.

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