No Fundo é Só Má Vontade

Na roda de amigos ou amigas, podemos até descer a lenha no sexo oposto com certos ares de superioridade, mas a verdade é que somos LOUCOS um pelo outro. E isso não tem nada a ver com orientação sexual porque a experiência da complementariedade somada ao choque da diferença beneficia a todos, hétero e homo.

Sem o excesso de racionalidade e uma certa desconexão emocional dos homens, como nós mulheres iríamos nos vangloriar do nosso dom para sentir, expressar e acatar nossas emoções?

Que graça teria os nossos choros e ataques de nervos?

Sem a fixação das mulheres em se enfurnar nas suas subjetividades, supervalorizando emoções e fatos de importância menor, como é que os homens provariam a sua competência em racionalizar a questão e dá à ela uma medida razoável?

No fundo, temos igualmente o potencial para a excelência e a alienação, para o equilíbrio entre razão e emoção. O que muda é só a forma de lidar com esses potenciais e as preferências/tendências ancestrais de cada gênero.

Então, por que a convivência íntima entre homens e mulheres é tão cheia de atritos?

Por causa do excesso de achismos e a falta de empatia.

E isso vale para qualquer relação, inclusive entre pares extremamente semelhantes (mesmo gênero, idade, classe social, nível de escolaridade, crença, estilo de vida, etc.)

Toda vez que esperamos que o outro seja uma cópia fiel de nós mesmos ou do script que montamos para ele, a relação se degrada e vira um campo de batalha.

Quando partimos do pressuposto:

Ele ou ela é outro universo particular, destacado do meu, que pensa, sente e age de forma autônoma, tudo fica menos complicado e a relação se consolida com mais harmonia.

Quem vive ou viveu a experiência do casamento já percebeu que brigamos basicamente por dois motivos:

  1. Para descarregar no outro nossos desgostos, tendo ele ou não culpa nisso.
  2. Para resolver uma crise de interesses que surgiu na relação.

No primeiro caso, nunca dá em nada construtivo. A gente se magoa, cria um estoque extra de ressentimentos e perde um tempão para restabelecer a paz em casa.

No segundo caso, a gente derruba a casa e termina se pegando na cama porque era justamente esse o objetivo – tirar do caminho o que estava impedindo o amor de fluir.

Daí a importância de atribuirmos a cada interação uma expectativa padrão. Ou seja, o que eu espero desse contato: comunhão ou desavença? E a partir disso, estabelecer os termos dessa dança.

Por razões óbvias, é simplesmente impossível se dar bem com todo mundo num grau mais íntimo (e perceber isso é obrigação de cada um de nós), mas se o foco estiver no respeito e diálogo sadio, todo mundo entra e sai de qualquer ambiente levando o melhor possível.

 

5 comentários sobre “No Fundo é Só Má Vontade

  1. “Que graça teria os nossos choros e ataques de nervos?”
    “Por causa do excesso de achismos e a falta de empatia.”
    Amei seu post. E que facilidade de definir algo tão óbvio e ao mesmo tempo tão deixado de lado: relacionados humanos. Adorei demais.
    Abraços!
    Karina Boldoro

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