Prostituição Gourmet e Suas Curiosidades

Não é de hoje que eu vivo assistindo a entrevistas de ex-garotas de programa para saciar minha obsessão por tabus.

Gosto de conhecer a realidade escancarada, sem filtro e aromatizante.  Papinhos sobre como as pessoas fingem ser estão no fundo da minha lista de interesses.

Descobertas Interessantes – Parte I (os clientes)

  1. Segundo relatos de Bruna Surfistinha, Vanessa de Oliveira e Lola Benvenutti, muitos clientes pagam por sexo pra realizar fantasias sexuais ou dar vazão a alguma tara bizarra que não cabe num relacionamento convencional. Imagine só pedir pra patroa dá umas chicotadas nele e depois pagar de machão. :p
  2. O sexo nem sempre é o foco. Alguns caras pagam para ter certa intimidade com uma mulher que extrapola a metelância, ou seja, confissões, desabafos, reclamações, etc.
  3. Caras com algum problema sexual ou anatômico (micropênis, ejaculação precoce, por exemplo) encontram no sexo pago e anônimo uma saída razoável para seus dramas.
  4. Gays ou bissexuais não assumidos também se realizam. Homens que gostam de penetração anal, mas não lidam bem com isso, recorrem às garotas de programa e seus vibradores para dar aquela aliviada.
  5. Os casados que querem variar ou voltar a ter uma vida sexual ativa também se jogam.

Descobertas Interessantes – Parte II (as garotas de programa)

Apesar do discurso mega moderninho e militante, nenhuma delas fugiu dos paradigmas tradicionais.

Bruna Surfistinha – Trocou a vida louca por um relacionamento monogâmico com um ex-cliente casado. Ficou com ele por 8 anos e sonha em ter filhos. Nada diferente dos tempos de Maria Madalena.

Vanessa de Oliveira – Virou sexóloga e ganha a vida ensinando mulheres a prender os homens pelo sexo. Conte-me uma novidade. Inovador mesmo seria ensinar os homens a enlouquecer a mulherada. Aí sim.

Lola Benvenutti – Também partiu para um relacionamento sério, voltou a estudar e revelou que, na cama, prefere coisas “normais”. Além de dizer também que nunca gostou de se vestir de forma mais obscena (nem mesmo quando estava na lida).

As 3 tinham válvulas de escape para aguentar a vida “fácil”.

Bruna – Drogas pesadas, chegando a sofrer uma overdose, e o blog.

Vanessa – Um diário.

Lola – Um blog.

Por mais que defendessem sua escolha e criticassem o julgamento da sociedade, todas deram um jeito de migrar para outra área socialmente respeitável, o que me faz supor que o amor pela profissão não foi assim tão convicto na prática quanto na fala.

Minhas Conclusões

A glamourização tão alardeada pela Bruna e a Lola não me convence. Deve haver vantagens sim (a maior delas, sendo o dinheiro), mas o ônus é alto demais e jogado pra baixo do tapete porque não pega bem admiti-lo.

Qualquer mulher sexualmente ativa, com o mínimo de bom senso e conhecimento da sua própria sexualidade sabe que, sexo várias vezes no dia com qualquer um que possa pagar não tem nada de agradável, por várias razões óbvias:

  1. Todo ser humano, por mais curioso e versátil que seja, tem seus critérios. Ninguém acha 100% da humanidade sexualmente atraente e pronto. E com certeza essas mulheres atenderam a uma infinidade de caras que, numa situação normal, NUNCA seriam uma opção pra elas.
  2. Qualquer repetição sistemática vira tédio. Mesmo supondo que as 3 amem sexo pra valer, todo desejo saciado acaba e se transforma em repulsa. Isso é fisiológico. Não adianta lutar contra.
  3. Nenhuma autoestima resiste a essa mercantilização do corpo. A cabeça delas pode até ter racionalizado o trabalho, desprezando outros fatores que compõem a sexualidade humana, mas, na minha opinião, a teimosia das 3 sucumbiu à realidade e todas descobriram (de um jeito atípico) o que qualquer mulher é capaz de intuir ainda na juventude: sexo bom é aquele que respeita a nossa dignidade e ninguém (seja homem, seja mulher) pode se sentir existencialmente valorizado na posição de objeto descartável. E isso serve para qualquer tipo de relação e não apenas para a prostituição paga.

Não julgo a escolha delas pelo aspecto moral. Acho isso uma bobeira e sei que a prostituição supre uma demanda real de pessoas com problemas ou insatisfações relevantes nesse campo. Mas daí achar que é possível ser feliz desse jeito já é uma forçação de barra mais indigesta que sexo a seco.

Parem com a encenação!

Quem quiser viver dos lucros que seu corpo pode trazer que viva, não tô nem aí pra isso e nesta vida há mercado para absolutamente tudo, mas se banquem por inteiro. Falem dos contras também, confessem os danos e as dores fatalmente associados à profissão mais antiga do mundo.

2 comentários sobre “Prostituição Gourmet e Suas Curiosidades

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