O Machismo é Democrático

Acho graça de quem milita contra o machismo apenas em uma das extremidades do problema, ou seja, atacando apenas o seu agente ativo – o homem.

Mas e o agente passivo – a mulher?

Será que é possível sustentar tanta opressão sobre a mulher sem a contribuição da própria?

Quais as conveniências e amarras por detrás da submissão feminina ao masculino?

Por que a militância feminista falha tanto em libertar a mulher do machismo?

 

Qualquer pessoa com um olhar atento e menos viciado em ideologias sabe que a opressão machista atua em duas dimensões:

  1. O homem que oprime;
  2. A mulher que se deixa oprimir (por ter acatado o mito da superioridade masculina).

Além disso, ainda temos:

  • O lado positivo da opressão (sim, ele existe e é com a ajuda dele que o machismo se perpetua).

Violência e repressão fazem mal, mas casa, carro, aliança no dedo, estabilidade financeira e apoio psicológico NÃO. E é justamente essa rede de benesses que faz muita mulher em um relacionamento abusivo (seja namoro, seja casamento) engolir a seco todas as indignidades do parceiro.

Duvida?

Vá bater um papinho com  policiais que atendem mulheres vítimas de violência doméstica. Com certeza, a experiência lhe dará uma noção muito mais complexa do cenário.

Ou, se não quiser ir muito longe, analise friamente o perfil daquela sua amiga dedo podre que reclama, chora, aluga seus ouvidos, mas nunca larga o osso. Se você for essa amiga, só lamento. Não estou aqui para pôr panos quentes na situação.

  • Os mecanismos sociais e psicológicos que justificam o machismo:

Religião e sua cartilha do que é ser um homem e uma mulher;

Cultura moldada pela religião normatizando esses papéis e cuidando para que as interações entre os gêneros se mantenham dentro de tais estereótipos;

Idealizações individuais sobre o sexo oposto também embasadas por crenças religiosas e mandamentos sociais;

E TUDO isso vivido em dupla, pelo homem e pela mulher.

E por que essa relação continua tão minada por abusos e submissão feminina?

Por que mulheres inteligentes, com independência financeira e de classes mais privilegiadas também se submetem?

Por quê?

A resposta a essa pergunta é tão multifacetada e circunstancial  quanto a tentativa de se estabelecer com precisão quem é você e o que é apenas reflexo da sua criação, posição socioeconômica, orientação sexual, etc.

Cada caso é um caso e todos são heterogêneos. Muita coisa conta e uma das mais determinantes são os exemplos aprendidos na infância e a interpretação que cada criança deu a eles. Ou seja, um menino que presenciou o pai batendo na mãe pode virar um agressor ou um protetor das mulheres; uma menina que percebeu as indignidades sofridas pela mãe pode replicar esse padrão ou descartá-lo com veemência. Tudo irá depender das  escolhas pessoais que, por sua vez, dependerão diretamente dos recursos internos que cada um desenvolver ao longo da vida, tais como: moral, inteligência emocional, autoestima, empatia, amorosidade, habilidade com o sexo oposto, etc.

E o que torna de fato uma mulher emancipada?

Na minha opinião, essa emancipação feminina nunca é definitiva e irrevogável justamente por ser uma contraproposta a tudo que nos define socialmente. Mas ser capaz de se convencer de duas verdades já ajuda bastante:

  1. Eu não sou inferior aos homens, mas fui levada a acreditar que sim. Logo, EU preciso investigar tudo que me oprime DENTRO DE MIM e erradicar esses padrões na minha vida PRÁTICA (relacionamento, trabalho, educação dos filhos, etc.).
  2. Liberdade também significa eu sou a principal responsável por mim mesma. Então, não adianta eu querer ser emancipada do machismo, patriarcalismo e sonhar com um príncipe caixa-eletrônico porque uma das formas mais eficazes de domínio é a financeira. Num mundo onde até pra morrer dignamente se precisa de dinheiro, quem paga as contas tem mais poder e mobilidade nas mãos.

Homens e mulheres se complementam em todas as dimensões existenciais e não há razão de fazermos das nossas interações uma trincheira ideológica e hierárquica.

Mais respeito, empatia e boa vontade entre os cromossomos XX e XY que aí sim, a vida flui e as diferenças se acomodam com muito mais harmonia.

 

 

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