O que Ficou da Turquia

Nem se eu quisesse, eu tornaria a ser apenas brasileira.

Entre idas e vindas, minha história com a Turquia já tem praticamente 7 anos.

Começou em Marmaris ou Kusadasi (não me recordo qual conheci primeiro), passou por Çanakkale, Gelibolu, Bodrum, Capadócia, Izmir, Ankara, Truva (Tróia) e se firmou na minha amada Istambul – a senhora de dois mundos (Ocidente e Oriente) – que tanto me afetava pro bem e pro mal.

Cheguei menina e fui criando raízes, somando experiências e lições; testei minha cultura, valores e visão de mundo; adquiri uma infinidade de novos pontos de vista, hábitos, preferências e senso estético. Enfim, virei outra. Virei meio turca, o que noto nas pequenas escolhas que faço no dia a dia, da comida à playlist.

A medida dos nossos afetos nasce no contato e se consolida na distância.

Passado 1 ano da minha partida, toda vez que troco mensagens com as minhas famílias turcas (Badem e Sahin), me lembro do que me fez ficar por tantos anos e porque pretendo voltar a passeio quantas vezes possível for:

amores, muitos amores!

Quando me divorciei, eu pensei: perdi TUDO. Todas as pessoas que amo. Estava enganada. Foi de onde eu saía que recebi mais apoio. No meu primeiro dia de Brasil, os áudios no Whatsapp eram da minha mãe turca dizendo que já estava com saudades, meses depois ela avisava: – quando vier nos visitar, você fica aqui em casa. Eu posso com isso? Não posso! 🙂

O melhor da vida são os vínculos que cultivamos a despeito de todas as incongruências.

Amo a Turquia pelos motivos óbvios: culinária, história, belezas, misticismo, pessoas queridas e hospitaleiras, etc.

Assim como detesto tudo nela que oprime e desrespeita: radicalismos, violência contra mulher, violação das individualidades, nacionalismo cego, autoritarismo político, superstições intransigentes etc.

E é dessa interação ambígua e sinuosa que nasceu tanto afeto e apego. É dessa forma tão plural e adensada que eu sinto a Turquia.

Que eu volte muitas e muitas vezes

E que ela continue sendo pra mim um solo de muitas lições e afagos

5 comentários sobre “O que Ficou da Turquia

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