O que a minha vaidade odeia admitir

Eu só posso existir em mim, pois é aqui dentro que sinto, penso e desejo.

É a partir da minha dimensão individual e solitária que interajo com as pessoas. Então, a hierarquia é: primeiro eu, depois o outro, o mesmo do lado de lá (eu preciso entender que a prioridade do coleguinha é ele próprio e não eu).  É assim que nasce empatia e compaixão verdadeiras.

Tudo o que eu faço é por conveniência própria, mesmo quando o beneficiário da ação é o outro.

Sempre miramos no prazer. A única coisa que varia é o foco. Quando me dou um presente, todo o benefício está concentrado em mim, quando presenteio alguém, o meu prazer é ver a felicidade do outro.  De qualquer maneira,  estou incluída, não há como ser diferente.

Então, cut the crap!

Essa palhaçada de dizer: faço tudo pelo outro, não me importo comigo é delírio, ausência total de um conhecimento mínimo sobre a própria natureza. A pessoa com esse grau de fantasia raramente será uma boa companhia para si e para os demais.

O meu bem-estar é responsabilidade minha e nunca do outro.

O brasileiro tem dificuldade em entender isso. Se pudesse, exigiria Bolsa-Amor, Bolsa-Sexo, Bolsa-Viagem dos Sonhos e por aí vai. Cada um ganhou da vida uma existência única e intransferível.

A natureza foi clara e contundente: se vira, criatura! Essa lógica burra de “eu me abandono pra lhe servir e você faz o mesmo por mim” é furada. Muito melhor cada um se amparar por conta própria, solicitando ajuda externa quando ela for realmente indispensável (casos de impotência psicológica, material, física, etc.).

A minha liberdade é ampla, porém, finita.

Ninguém pode tudo. O universo tem leis, ordenação, ciclos e todos nós estamos submetidos a esse contexto, sem contar nos impedimentos impostos pela vontade dos outros. Então, o grau de autonomia que uma pessoa conquista na vida está diretamente relacionado ao tanto de esforço que ela aplica nessa direção.

Liberdade é como músculos, precisa ser desejada e desenvolvida, dentro é claro do contexto e gama de recursos de cada um. Desconfie de uma pessoa cheia de desculpas para o seu fracasso pessoal. O que lhe falta não é sorte, mas sim vergonha na cara para enfrentar os inimigos do sucesso: preguiça, vaidade, orgulho, medo dos tombos, ignorância, autoindulgência, falta de boas estratégias, de autoconhecimento etc.

Afeto e vínculos não se compram nem vingam do nada.

Não adianta forçar a barra disferindo elogios falsos aqui e ali nem se iludir com onda do momento de que tudo é efêmero e substituível. O mundo acelerou, a solidez deu lugar a interações muito mais fluidas e dinâmicas, mas o amor continua dependendo de um cenário minimamente sólido para vingar, ou seja, ele precisa de respeito, afinidades e investimento recíproco para se desenvolver.

Não interessa se a nossa geração sobrevive de aplicativos. Continuaremos a mercê do tempo de maturação toda vez que quisermos algo mais aprofundado.

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