Padrões de Beleza- Somos Nós que Bancamos

Todo mundo fala da ditadura da magreza, mas poucos ousam mencionar que as mulheres mais fora desse “padrão ideal” são as que sustentam o esquema, seja por indução, seja por vontade própria.

Faça as contas comigo: se no Brasil, a minoria usa manequins 34, 36 e 38, como é que musas fitness e famosas globais têm milhões de seguidoras nas redes sociais?

Quem está endossando esse negócio?

Quem está enchendo o cofre dessas beldades?

Se as mulheres são assim tão passivas nesse sistema opressor, por que as produtoras de conteúdo mais influentes do Youtube Brasil (plataforma supostamente mais democrática que a TV) reproduzem exatamente os mesmos padrões das outras mídias:

pele branca ou pelo menos não tão escura, feições europeias ou pelo menos não tão “africanas”, corpo esbelto ou pelo menos não tão distante dos manequins 36-38, nascidas ou moradoras das regiões sul/sudeste, classe média/média alta?

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Será que o problema está só na sociedade?

Do que mesmo esses veículos sobrevivem?

 Público = Patrocínio = Dinheiro = Poder Social.

Sem o nosso apoio, nada disso se sustentaria. Simples assim.

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Prêmio Geração Glamour
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Casa do Youtube Brasil

Então, precisamos falar com franqueza sobre algumas verdades.

O padrão esbelto e europeu é o mais cobiçado e, portanto, mais rentável socialmente não por força do destino, mas porque nós trabalhamos por isso ao longo da História. Uns impondo, outros acatando. É assim que se estabelece a ilusão de superioridade racial. É assim que continuamos fazendo no Brasil e no mundo. A hegemonia branca continua em pleno vigor e nada mudará até que as pessoas se conscientizem desse absurdo e comecem a fazer escolhas diferentes.

Não há nada de errado em ser branca, magra, rica e famosa. A perversão está na imposição desse perfil em detrimento de todos os outros. O que precisamos é de uma abertura para que os espaços públicos reproduzam com mais coerência a diversidade humana. Só isso.

A mudança só acontece de dentro para fora. Só acabamos com a escravidão porque os indivíduos resolveram dar um basta e se organizaram para isso.

O conceito de beleza é relativo, cultural e elástico. Portanto, quando começamos a nos expor a biotipos mais variados, a nossa opinião sobre o que é belo ou feio se transforma. Então, cuidado com os referenciais de beleza que você anda seguindo.

O mais inteligente é se inspirar em quem lhe serve de espelho mais ou menos imediato.

Ou seja, se você é negra e 90% do conteúdo que consome são de mulheres não negras isso provavelmente vai detonar a sua autoimagem.  O mesmo para as branquinhas que só acompanham mulheres bronzeadas, as mais encorpadas que seguem as magrinhas, as magrinhas que seguem as saradonas. É bom ter cuidado com esses desvios porque a exposição contínua a uma realidade muito distante ou até inalcançável acaba minando a nossa autoconfiança e a sensação de normalidade.

Já existem pesquisas sobre o quão piores as pessoas se sentem ao acompanhar os feeds de seus amigos nas redes sociais. E sabe por quê?

Porque sempre compartilhamos o melhor ou o menos pior de nossas vidas. E todo mundo acaba acreditando que os outros são mais felizes. Um ciclo vicioso que só promove inveja, competição e ressentimento.

O mesmo acontece com a ideia que temos de gente rica e famosa. Inconscientemente, todo mundo julga que a vida dessas pessoas é melhor, o que não necessariamente é verdade.

Então, faça um favor à sua sanidade:

Reveja seus referenciais, hábitos e consumos.

Antes de comprar uma ideia, se pergunte:

Isso vai me ajudar ou atrapalhar?

Isso é saudável para a minha noção de bem-estar e adequação?

Não adianta culpar o mundo e muito menos esperar que ele se conserte para que você possa viver em paz.

Cada um de nós precisa aprender a se gerir de forma autônoma, sábia e realista, ponderando sobre nossos desejos, ideais, frustrações e, principalmente, sobre o rumo que estamos dando para nossa vida.

Quem se sente vítima do mundo precisa de um espelho, precisa de consciência sobre si mesmo e as relações de causa e efeito.

Ou você se governa ou morrerá sendo massa de manobra de qualquer contexto à sua volta.

#NãoSomosObrigados

2 comentários sobre “Padrões de Beleza- Somos Nós que Bancamos

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