Melancólica, eu?

Não que eu alimente meu lado sombrio e temperamental. Muito pelo contrário. Mas já não ponho energia em escondê-lo, pois decidi transpô-lo com mais franqueza e desprendimento, tirando o maior proveito possível de suas causas.

Para mim, num mundo tão cheio de feiuras e sofrimentos, a ausência de arroubos melancólicos só seria viável pela força de um milagre ou da mais completa alienação; ou, quem sabe, por uma transcendência espiritual definitiva, a qual estou muito longe de possuir…

Minhas fontes de desgostos pessoais, todas associadas a momentos difíceis e idealizações infantis sobre mim mesma e os outros, andam à míngua desde que me pus determinada a curá-las, mas e os outros?

E essa horda de misérias humanas infiltrada por toda a parte, engendrada em todas as classes?

São tantas fomes, tantas dores

infligidas e sofridas…

Somos tão vulneráveis a tudo que corta e sangra

e tão inclinados a mágoas e vinganças….

No discurso abaixo, Angelina Jolie fala do grande dilema que vive ao se perceber tão privilegiada enquanto outras pessoas, com potencial e habilidades semelhantes ou até superiores aos dela não encontram a mesma chance.

O vídeo está em inglês e não tem legenda, pois não achei outra versão.

Meu temperamento melancólico não é recente e sempre dividiu espaço com uma dimensão mais alegre e otimista, talvez por eu ter sido inundada, ainda criança, por duas constatações antagônicas:

a vida é bela e merece ser desfrutada com muito vigor, entrega e autenticidade;

a vida é doída nas mais variadas formas e é preciso coragem para suportar seus momentos dilacerantes sem perder o brilho no olho e a esperança por dias melhores.

Dualidade, ambivalência….

 Abrigo para a luz e a escuridão

para a dor e a alegria.

E para os dias de tristeza, eu intensifico meu coro de gratidão por tudo aquilo que me torna, assim como a Angelina Jolie (só que em escala infinitamente mais modesta rsrs), privilegiada:

vida

saúde

afetos

liberdade

recursos materiais

horizontes contundentes para que eu me exerça e expanda com fluidez e amparo.

E seja lá o que me aconteça no transcorrer dos meus dias, que eu nunca, em hipótese alguma, me desvie da rota que multiplica e preserva todas as formas de bem-viver, posto  que a única maneira sustentável de se erradicar a miséria é cultivando a riqueza.

2 comentários em “Melancólica, eu?

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  1. Eu ia te perguntar em inbox como você conseguiu ou está conseguindo com tanta naturalidade superar tanta mudança em sua vida,divórcio,mudança de um país para outro,mudança de Estado e cidade,mudança de trabalho,separação de amigos e mesmo assim segue a vida feliz,segue seus sonhos,planeja o futuro. Mas este texto me trouxe todas as respostas. E serviu de exemplo para mim, me deu força para eu superar o que estou vivendo neste momento. Deixo aqui minha gratidão.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Que legal, Viviane. Eu compartilho minhas experiências justamente por isso. É a minha forma de contribuir para um mundo melhor. E quanto ao trabalho, não houve mudança, pois continuo sendo tradutora. Beijos e obrigada pela visita.

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