O que eu faria sem os “Nãos” da vida?

Eu era bem jovem. Talvez uns 12/13 anos. Queria aprender inglês para morar na Inglaterra e ser escritora bilíngue também, mas minha família não podia pagar por um curso.

Eu poderia ter desistido ou jogado o projeto na gaveta de “coisas que farei quando tiver um emprego/dinheiro”. Mas optei pela rota que as pessoas mais pobres de recursos e não de iniciativa sempre escolhem:

Eu decidi me virar com o que tinha.

Comecei a traduzir as minhas músicas prediletas (do meu jeito, é claro)

Fui a um sebo e comprei uma gramática inglesa da Cambridge (porque eu sou Posh, desculpa aí!!)

Passei a escrever em inglês no meu diário – Levava 10 anos para terminar uma página e meu sexto sentido dizia:

tá uma merda, mas vá na fé que um dia melhora.

Passava horas no quintal de casa cercada de anotações e nem aí para novelas, esmaltes, crushs (que na minha época tinha um nome bem menos gourmet) ou qualquer coisa que, geralmente, ocupa a mente das adolescentes.

Já na era do MSN (sim, estou ficando meio passada), eu parti para os bate-papos com falantes de inglês. Sentava na frente do PC, abria o meu hiper mega blaster dicionário Michaelis (de papel) e fazia o que dava:

praticava o que sabia (ou pensava que sabia), passava vergonha com meu portunhês de raiz, me divertia quando o papo era bom, vibrava com qualquer elogio e me desviava das taradices de uns e outros.

Dessa época, eu guardo um grande amigo inglês que não conheço pessoalmente, mas com quem tenho conversas incríveis até hoje. Na minha crise de 2016, ele era uma das companhias mais preciosas que eu tinha.

Valeu, Dan.

Valeu, WhatsApp! 🙂

Só fui fazer curso de inglês quando estava na faculdade de Letras e no modo relâmpago, já que me nivelaram no último livro e eu peguei meu certificado em 2 meses.

Numa ida à unidade pra fazer sei lá o que, eu descobri que me chamavam de “a mutante” por causa do tempo um tanto apressado em que concluí o curso. Carinhosos, não?

Graduação em Letras, trabalho em transatlântico norte-americano, vida no exterior e TUDO isso por causa do que a Aline adolescente escolheu pra si há quase 20 anos.

Por ter decidido plantar em vez de me lamentar, acabei colhendo frutos muito mais suculentos do que o esperado. E hoje, quando me pego esparramada numa poça de preguiça e corpo mole, eu me lembro dessa menina sem eira nem beira que foi tão confiante, estratégica e disciplinada.

Eu devo à ela tudo que conquistei na fase adulta.

E quando o sonho parece muito distante da minha realidade?

E quando eu desejo algo com toda a minha audácia, mas na hora da prática, empaco?

Bom, nessas horas, digo a mim mesma:

SE JOGA!

Dê o primeiro passo!

Saia do zero a zero!

E quando chegar lá, a gente vê!

 

Dica do Dia

Se você quer muito conquistar algo, comece AGORA, criatura!

Essa coisa de:

amanhã eu faço,

quando eu tiver isso/aquilo, eu começo

Se não fosse por isso/aquilo, eu faria

não passa de fuleragem do demônio preguiçoso, lamuriento e desgraçado que habita as mentes de todos nós.

Não caia nessa senão a vida passa, os sonhos desbotam e todo o viço mingua.

Não vai ser tão fácil quanto se acomodar em qualquer zona de conforto empoeirada, mas se você escolher o que, de fato, lhe enche de entusiasmo, a colheita pagará cada punhado de tempo, energia e vigor investido.

8 comentários sobre “O que eu faria sem os “Nãos” da vida?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s