Prostituição e a Manutenção da Espécie

Numa entrevista para o Bial, o médico Drauzio Varella relata uma cena muito tocante. Depois de ser tratada de uma doença ginecológica e se sentir muito agradecida, a detenta diz:

“Como é que eu vou agradecer esse homem que me ajudou tanto, ele que tem tudo e eu que não tenho nada? Então, eu decidi que daria pro senhor a única coisa que eu tenho pra dar [o corpo]”.

Trecho a partir do minuto 15:30.

Prostituição vai muito além da troca tradicional de sexo por dinheiro, o que nos leva a 2 categorias básicas de prostitutas (o que também se aplica, obviamente, a homens):

1.Prostitutas Comerciais – No Ocidente, são as discípulas de Maria Madalena e atendem em casas de prostituição, ruas ou fazem book rosa , testes do sofá, etc.

Foco principal: dinheiro.

2. Prostitutas Relacionais – São, ou pelo menos devem aparentar ser, propriedade de um homem só, preenchem vagas de amantes, namoradas e esposas abertas por clientes interessados em comprar companhia feminina de um jeito menos tosco e socialmente respeitável.

Foco principal: amparo psicológico e/ou ascensão social/existencial –  Subir na vida, ter filhos legítimos, fugir de uma situação familiar degradante, ganhar liberdades sociais, ter vida sexual ativa sem perseguição, etc.

E aqui chegamos num ponto extremamente crítico. Se prostituição significa prática sexual em troca de algo (e não apenas dinheiro), que mulher, em nível absoluto, escapa ilesa? Quem nunca, jamais?

Hummm, prefiro nem comentar…

Comercializar o corpo, assim como qualquer outra coisa, significa a existência de um contexto padrão:

demanda + oferta

numa ponta = desejo ou necessidade de algo.

no meio = a frustração da escassez. Eu quero ou preciso disso, mas não o tenho à minha disposição.

na outra ponta = uma fonte real ou imaginária contendo exatamente aquilo que eu quero ou desejo.

É preciso que alguém seja (ou pelo menos se sinta) pobre de algum bem de valor material ou imaterial e ao mesmo tempo tenha algum atributo relevante para decidir, consciente ou inconscientemente, se vender.

E como a lista de carências reais e imaginárias do ser humano é tão múltipla quanto a própria vida, e carregamos em nós um impulso imperioso de trocar, dar, receber, o mercado da prostituição explícita e velada está devidamente resguardado e com vigência correspondente à permanência humana sobre a Terra.

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