Nos dias em que eu prefiro morrer…

Nos dias em que eu prefiro morrer, me tranco e me escondo nos cantos confusos de um mundo que é próximo e imenso, com túneis e ascendências; que é turvo, oco e mudo.

Nesses dias, outras gentes não fazem falta porque sou nada e com o nada não se conversa, não se achega.

Desencaixada em mil ladrilhos cintilantes, eu sumo pra ser sopro e sem bordas como um rio desgovernado à espreita e por toda a parte, farejando noutras formas inomináveis de gozo e sofrimentos.

Ali eu morro

envergo

expando.

Os dias em que eu prefiro morrer são eternos e circulares, me afundam a alma num redemoinho de raízes minhas e do mundo inteiro; memórias ludibriantes de uma vida que nem sei se vivo ou se invento com os olhos, nervos, pretextos e medos.

Esses dias tão adensados e roucos emergem (a toda hora  e a qualquer preço) à superfície dos poros porque é neles que moro desde o começo

num entendimento de que sou vida em decorrência e finitude.

 

Já os combati com fúria e mágoa

por me roubarem a ingenuidade e me rasgarem em lucidez irreversível.

Já os odiei sem travas

por me lançarem à solidão dos que duvidam em absurda permanência.

Hoje pouco importa o que imprimem em meus sentidos. Eu já não brigo nem me espanto porque sou eles desde o princípio.

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