Se é pra viver que seja à queima roupa

Não muito raro, me pego às voltas com uns desejos que tenho há tempos e que ainda não vingaram. Rodo daqui, rumino dali…

 

Por que ainda não aconteceu?

Será que não é pra ser?

O que tem de errado?

Mas que inferno!

 

Quando o mi mi mi acaba e a vergonha na cara volta, eu me pergunto:

 

Mas o que você anda fazendo para realizar esse desejo?

Você já tentou todas as rotas?

Já usou todas as cartas?

Já ponderou sobre todos os erros?

Enfim, a clareza sobre o que você quer e o plano para chegar lá estão em dia e em curso?

 

É CLARO QUE NÃO, NÉ?!!

 

Se VOCÊ estivesse na disciplina e atividade, não estaria passando raiva nem se fazendo de injustiçada- sofredora -Maria do Bairro – desfavorecida pelo universo.

 

É muito mais cômodo pensar que existe uma conspiração invisível para que tudo dê errado, mas eu me recuso a acreditar nisso simplesmente porque esse tipo de coitadismo me afunda numa vala de mediocridade e chororô patético.

Eu prefiro a esperança convicta de que tudo vai dar certo, CONTANTO QUE eu invista em:

 

esforço

conhecimento

paciência

 sabedoria

e

FOCO

na direção daquilo que eu quero.

CONTANTO QUE eu pague o preço pela encomenda.

 

Porque é assim que tem funcionado pra mim desde sempre.

E mesmo se der tudo errado, estarei no lucro, pois a bagagem de experiência que os tombos me trazem se transforma em trunfo para todas as empreitadas futuras e me torna muito mais à vontade com as inseguranças da vida.

Deixar de apostar naquilo que se quer é o caminho mais curto para o desgosto e a impermeabilidade existencial.

Assim como os rios, nós somos um leito que demarca as divisas do que nos cabe de fixo e repetitivo.

Assim como os rios, nosso conteúdo é fluido, escorre, evapora, abaixa e transborda sob o efeito de ciclos e confrontos diversos que nem sequer compreendemos.

 

 

 

Estado Islâmico – Mais Uma Podridão Humana

A noite começa com uma comovente reportagem do jornalista Yan Boechat sobre a guerra no Iraque.

Auditório lotado em plena quinta-feira para ouvir sobre disputa de poder, religião e política na Casa do Saber.

Compreender as disputas e reviravoltas no Oriente Médio em duas horas de palestra estava fora de cogitação. Com sorte, em alguns anos de estudo minucioso eu chegaria a uma ideia mais ou menos encorpada sobre o que anda acontecendo por lá. Mas os relatos do Yan me ajudaram a atenuar, de uma maneira bem franca e panorâmica, essa visão monocromática que acabamos tendo sobre o assunto.

Cheguei curiosa, saí ainda mais convicta de que, quando queremos,

nós somos a escória do mundo!!

A magnitude da nossa baixeza é catastrófica e imperdoável, posto que temos cérebro e bilhões de neurônios.

Por poder territorial, político, religioso e econômico

perseguimos torturamos matamos estupramos

fabricamos órfãos e viúvas em série

dizimamos famílias

devastamos sociedades

cunhamos nas vítimas que sobram

uma obsessão por vingança que renova anos após anos,

décadas após décadas o mesmo vício

de dor

destruição

e

sangue

de polo a polo

 

Eu adoraria acreditar na possibilidade de um mundo sem guerras e disputas intratáveis, mas COMO?

Sob qual pretexto?

 

O que falta ao bicho homem pra que ele pare de construir sua fortuna à custa da miséria alheia?

O que lacra a sua capacidade de ver o seu semelhante como alguém igualmente merecedor de respeito, liberdade e dignidade?

 

Onde termina o fundo desse poço?

Como se preenche a vacuidade dessa alma?

 

Eu não sei!

menino

 

 

E se tudo der errado?

Os desejos mais entranhados acalentam e desesperam

porque são ninho e nudez.

Se vivemos apenas sua forma encenada, que reside nos sonhos a olhos despertos, mas que em nada modifica o transcorrer da vida, eles simplesmente amornam a frieza dos dias banais multiplicados em lotes na rua, na cama e no trato com os outros;

Se os queremos mais sólidos e infiltrados na realidade, toda a sorte de aflições e fatalismos perfura a mente ao pensarmos na dor do fracasso.

 

E se tudo der errado?

Se eu falhar na rota?

Se minha carência de método me deixar exposta?

Se o peso da minha ignorância me arremessar num abismo?

Se eu não for competente o bastante, o que eu faço?

Se todos me verem tombar, o que eu digo?

 

Digo que sou HUMANA e isso pressupõe, rigorosamente, uma natureza aberta a aprimoramentos, onde o erro mora ao lado do acerto e as ambivalências são a matéria-prima de cada átomo que compõe minha substância.

Jamais serei 100% forte, serena e coesa

Jamais serei 100% frágil, vulnerável e passiva

porque meu destino é ser múltipla, híbrida.

 

Sou feita de choro e desgostos;

sou feita de risos e dádivas.

E que assim seja até o último suspiro.