Com a casa nas costas

Já me corroeu perceber que em parte alguma há um lar derradeiro;

aquele que me conteria com autoridade exclusiva e esperança na eternidade.

 

Mas será que minhas noções de pertencimento podem ser assim tão convictas?

Se eu arranhar o topo dos afetos físicos e sutis que sinto a ponto de expô-los e revirá-los, o que sobraria?

 

Por que eu amo quem amo?

Por que eu volto para quem volto?

Por que ignoro certos caminhos e me lanço em outros?

O que sedimenta meus vínculos?

O que desmantela meu interesse?

 

É mais fácil apreender o que flui e agrega do que decifrar as trajetórias e critérios do que me causa repelência ou aproximação.

E por isso eu mudo e permaneço no mesmo lugar (sigo do mundo e continuo provinciana)

para que minhas andanças nunca me apartem de vez dos tesouros que já encontrei

e minhas permanências não me atrofiem numa jaula de marasmo e obsolescência

pois eu preciso

de

âncoras e asas

para me sentir

atada

e

diluída.

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