E se eu me contasse uma história?

A única liberdade que conheço é a aceitação do que sou onde o olho do mundo não chega.

Fora isso, persisto espremida neste Todo caótico, mas simbolicamente explicado que é pra’gente não morrer de desespero.

Às vezes, me dói. Às vezes, faz bem e há quando nem bem nem mal, nem útil ou inútil.

Em tempos mais serenos, fico olhando as coisas passarem devagar ou de pressa. Vivendo mais para dentro ou mais pra fora.

Já tentei seguir em linha reta: ou só para dentro, ou só para fora, mas nunca funciona. Parece que tanto o excesso de mim quanto o excesso dos outros envenenam esta natureza talhada pro eu-nós.

Então, desisto de fingir que controlo e me volto à correnteza, onde uma parte eu decido e a outra se decide por conta própria sofrendo influência de absolutamente tudo que coexiste para além do que sou capaz de perceber; dos lençóis freáticos aos mandamentos da Via Láctea (e muito mais acima e abaixo), há um sem fim que não alcanço, mas que me alcança,

me impulsiona, me esmaga, me mantém de pé, me protege as sensibilidades, me pega pela mão e ensina como devo ser e que um dia me destruirá. Primeiro, aos poucos e depois com uma única cortada de vida. E mesmo nesse dia (ou noite, ou madrugada), eu ainda não saberei

por quê?

pra quê?

 

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