O que se passa? E quando passa?

Esta pandemia tem sido tantas coisas tão distintas para cada pessoa.

Mas ao mesmo tempo, tão coerente com a realidade que já existia antes dela….

E eu imagino que:

Os que tinham mais recursos, afetos, amparos, dinheiro guardado, plano de saúde em dia, com quem deixar as crianças, pra quem ligar no sufoco, com quem dormir agarradinho, continuam tendo.

Os que eram mais vulneráveis, solitários ou descompensados de corpo e juízo também continuam “firmes” no seu fiapo de vida desmoronada sem muito com o que fazer um escudo de aconchego e direção.

E os “meio lá e meio cá”, talvez a grandíssima maioria de nós, também seguem nessa estrada sinuosa de quem “tem e não tem” o essencial, de quem “conta e não conta” com uma proteção consistente para seus pavores, dores e fúrias, de quem “sabe e não sabe” como lidar, elaborar e situar os acontecimentos dos últimos meses que, de uma hora para a outra, varreram da Terra toda a nossa ilusão de controle, segurança e senso de continuidade.

Parece que não há mais garantias nem sobre o rumo do mundo, nem se amanhã vamos dar conta de nós no mais simples do cotidiano, no mais óbvio do fluir. Como se a vida que “inventamos” (empregos, governos, acordos, vínculos, prazeres, negócios…) tivesse adquirido as incertezas de nuvens

vaporosas

passageiras

diluídas na imensidão de um céu

que talvez exista para nos lembrar

que

TUDO PASSA

TUDO PASSA!

5 Contadoras de Histórias – Mulheres na Direção

Eu sei que ninguém cabe nos rótulos “homem”, “mulher”, “sexo masculino”, “sexo feminino” (nem em nenhuma de todas as denominações de gênero que existem). E que no fim, o que há são bilhões de presenças humanas que ultrapassam sem pudores esses papéis e personagens que encenamos até morrer, mas é impossível não ver a diferença do jeito feminino de olhar e contar uma história.

Parece que nós mulheres tendemos a focar mais nos detalhes do lado de dentro – emoções, dinâmicas relacionais, dilemas éticos, crises existenciais. Enfim, no que envolve as coisas da alma e os aspectos mais vulneráveis e multifacetados que possuímos.

Já os homens, na minha opinião, gostam mais de narrar a partir de um lugar emocionalmente distanciado, com um tom mais aventureiro, focado em fatos e não em sentimentos.

Os dois estilos se complementam e quando aparecem juntos num filme, livro ou qualquer tipo de narrativa, dão muito mais conta da realidade como um todo, deixando uma sensação de integridade e verossimilhança que faz qualquer bicho sapiens se ver retratado.

Todos os filmes da lista que fiz foram dirigidos por mulheres:

 

May el-Toukhy (dinamerquesa-egípcia)

Laís Bodanzky (brasileira)

Rohena Gera (indiana)

Julia Rezende (brasileira)

Nadine Labaki (libanesa)

 

Vale muito a pena assisti-los. E quem tiver sugestões para me dar de histórias interessantes (dirigidas por homens ou mulheres, tanto faz), deixe nos comentários. Eu sou alucinada em filmes e vou ficar feliz da vida! 😉 😉

Beijão!

Rainha de Copas

Como Nossos Pais

A Costureira de Sonhos

Ponte Aérea

Cafarnaum

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Paula Lavigne

 

 

Paula foi apalpada e disse que ia matar o cara.

Super me identifico. Se fosse comigo, não faria muita coisa. Só ia querer dar uma machadada nele e depois esquartejá-lo sem pressa nem dó.

Paula é workaholic, eu também.

Paula tem espírito de liderança, mas jamais se envolveria com política.

Paula é sincerona e de personalidade fortísssima.

Pena que Paula não gosta de ser mulher, apenas tolera (diz isso aos 6 minutos da entrevista). Aí tenho que discordar por completo.

Amo ser mulher, fêmea, ter tetas, curvas. Pensar, sentir, agir como mulher. Transitar pela existência deste lugar mais sinuoso e intricado.

 

Para mim, o problema das mulheres em grande medida se chama “HOMENS”.

Tirando as dificuldades fisiológicas – TPM, cólicas, menstruação, gravidez etc. O mal que sofremos é consequência do lugar menor, subserviente e objetificado que os homens nos deram ao longo da História. Não tem nada a ver conosco, mas sim com a incapacidade deles de lidar com a liberdade feminina.

Eles, os homens, gostam dessa coisa da conquista, da submissão e de uma relação extrativista com o mundo – natureza, outros homens e, obviamente, com as mulheres. Gostam de se fazerem senhores de tudo em que enxergam valor. E por isso. Apenas por isso a vida das mulheres tornou-se tão mais encolhida que a deles. Felizmente, estamos mudando a narrativa das últimas décadas pra cá, o que provavelmente irá reduzir o ranço que muitas mulheres têm da sua própria natureza.

Paula Lavigne é

atriz e produtora

mãe de Zeca Veloso e Tom Veloz

esposa de Caetano. Sim do nosso Caetano.

Obrigada por existir, Paula! Continuar lendo

Quando eu Canso de Brigar

  • Tento olhar a realidade com mais agudeza e amplitude;

 

  • Extrapolo as conveniências e tabus do meu lugar no mundo;

 

  • Construo um entendimento menos apaixonado e mais razoável das tantas formas distintas de se pensar, sentir e expressar a condição humana;

 

  • Aprendo a reservar um espaço para a dúvida e eventual mudança de opinião.


E conforme o tempo passa

  • Eu me habituo com o exercício reflexivo;

 

  • O desconforto em me perceber sem duplicatas vai se atenuando;

 

  • E a disparidade que de fato me distancia dos outros deixa de ser uma ameaça pra ser lida apenas como diferença!

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Um copo de paz por três goles de ar

Livre!

É assim que eu me sinto ao ficar num silêncio prolongado, esticando a respiração no limite que aguento pra depois soltá-la junto com as maluquices da mente. Eu penso um monte de lixo quase o tempo todo. IMPRESSIONANTE! Mas já foi pior, bem pior.

Lembro da época em que não meditava. A cabeça me enlouquecia dia e noite, sem trégua nem razão. Agonias neuroses achismos fantasias medo disso e daquilo taras por isso e aquilo. Zona! Pura zona!

Três anos meditando praticamente todo santo dia…

Se ainda sinto vontade de esfregar a cara de uns e outros no asfalto? Claro.

Se ainda tenho uns surtos de estremecimento por motivos fúteis e absurdos? Claro de novo. Mas tá tudo igual só que diferente rsrsrs.

Antes eu me enfurnava de verdade nessas loucuras, jurando que era preciso tomar providências por causa dos chiliques. Agora tu vê! Tomar providências movida por um monte de papagaiada que nem sei de onde vem muito menos pra que serve.

Mas com o tempo fundei a CCN (Central de Controle de Neuras) que é pra desfazer o furdunço a tempo e estender a vibe “paz, amor, nada me abala”. Ela opera com comandos extremamente amorosos e didáticos do tipo:

– Parô com a palhaçada!

– Chega de frescura!

– Amanhã a gente vê isso.

– Não é o fim do mundo.

– Calma! Vai passar por que tudo passa mesmo. 

E se persistirem os sintomas, vá meditar, DEMÔNIA! Continuar lendo

E se eu me contasse uma história?

A única liberdade que conheço é a aceitação do que sou onde o olho do mundo não chega.

Fora isso, persisto espremida neste Todo caótico, mas simbolicamente explicado que é pra’gente não morrer de desespero.

Às vezes, me dói. Às vezes, faz bem e há quando nem bem nem mal, nem útil ou inútil.

Em tempos mais serenos, fico olhando as coisas passarem devagar ou de pressa. Vivendo mais para dentro ou mais pra fora.

Já tentei seguir em linha reta: ou só para dentro, ou só para fora, mas nunca funciona. Parece que tanto o excesso de mim quanto o excesso dos outros envenenam esta natureza talhada pro eu-nós.

Então, desisto de fingir que controlo e me volto à correnteza, onde uma parte eu decido e a outra se decide por conta própria sofrendo influência de absolutamente tudo que coexiste para além do que sou capaz de perceber; dos lençóis freáticos aos mandamentos da Via Láctea (e muito mais acima e abaixo), há um sem fim que não alcanço, mas que me alcança,

me impulsiona, me esmaga, me mantém de pé, me protege as sensibilidades, me pega pela mão e ensina como devo ser e que um dia me destruirá. Primeiro, aos poucos e depois com uma única cortada de vida. E mesmo nesse dia (ou noite, ou madrugada), eu ainda não saberei

por quê?

pra quê?

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Linha Reta

A gente vai se contraindo e se rifando

num transpor e (re)transpor de micos furadas acertos chamegos tapinhas nas costas, tapinhas na cara.

Fazendo das crendices abrigo contra o tanto de voltas e mais voltas que sacodem a boca do estômago e avacalham as certezas da mente tão ensimesmada, tão indiferente ao que se passa no mundo dos outros.

Não!

Eu não vivo em linha reta nem por um segundo!

Hoje mesmo sai na intenção de um suco de laranja, acabei tomando um de amora com pimenta de cheiro. Fiquei com um ardidinho na boca que durou até o metrô. Continuar lendo

Amores forjados que nunca se esgotam

Volta e meia escuto:

“Eu quero ir embora do Brasil. Não aguento mais esse lixo!”

Eu entendo muito bem esse sentimento, pois fui a adolescente louca decidida em me mandar daqui porque só enxergava o lado ruim de ser brasileira.

Pra quem quer ir, eu digo que vá!

Se há uma boa chance (digna e legal), então aproveite.

Só não faça os planos e as malas com a ilusão de que conforto material e infraestrutura melhor dão conta de todas as suas necessidades de bicho homem afetivo e cultural.

O desterro de um expatriado dificilmente passa com o tempo porque viver apartado do solo que lhe formou da língua à mesa posta não é um desconforto de pele. Está mais para o luto profundo sentido por alguém que foi definitivamente amado.

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