Um Prego no Meio da Rua

A gente pensa que supera…

Para certas perdas não há tal coisa.

Comecei a ler este livro sem saber do enredo e, pra minha surpresa, ele começa com o drama de um senhor que acabou de perder sua esposa depois de 48 anos de casamento.

Como não lembrar do meu velhinho que se foi em 2016?
Impossível!

Chorei até ficar sem ar e ter que abandonar a leitura.

Fui me amuar no quarto pensando que o vazio e a dor nunca passam. Eles só se acomodam num canto menos evidente, vindo à tona quando algo ou alguém aperta o gatilho.

Mais adiante na leitura, ganhei um consolo:

“… um dia essa saudade vai ser benigna, a lembrança da sua esposa vai trazer-lhe um sorriso aos lábios porque é isso que a saudade faz, constrói uma memória que nós nos orgulhamos de guardar, como um troféu de vida… que já não dói e que lhe traz apenas felicidade…”

Estou contando com isso de verdade.

Leiam muitos bons livros, pessoal.

Às vezes, machucam, mas também afagam porque dentro deles cabe toda a humanidade que temos, da miséria à glória, do lodo ao paraíso. E a gente vai ficando mais bem situado com esses estremecimentos da vida. Continuar lendo

Enfim Só!

Eu nunca fui das mais sociáveis. As doses cavalares de solidão de que preciso para estar bem e uma certa preguiça em construir novos laços sempre foram meus pretextos para viver no meu casulo.

Hoje em dia, ao pensar em todos os filmes incríveis que não poderei ver e nos livros que mudarão minha vida, mas que ainda não descobri, me sinto tentada a hibernar eternamente no aconchego do meu quarto, dentro de uma roupa confortável e com a cara lavada.

Às vezes, também dá medo de endoidar (de vez) ou perder a conexão com o mundo lá fora. Daí me lembro que eu saio umas duas vezes por semana só para ver gente e converso com amigos e familiares com certa frequência.

O mais legal de preferir a solidão é que o contato com os outros ganha um significado mais exuberante.

Por passar a maior parte do tempo sozinha, uma simples viagem de metrô me distrai horrores e a conversa com alguém interessante reverbera dentro de mim por horas e horas  justamente por não ser algo vivido com tanta regularidade.

Aproveitando o assunto, deixo uma dica de livro para os amantes do voo solo.

Amor, Liberdade e Solitude – Osho.

Esse foi o primeiro livro que comprei de volta ao Brasil (fim de março de 2016). Muitas respostas me foram respondidas e novas perguntas suscitadas por ele. Recomendo para quem gosta de se analisar e curar.

Beijos e até a próxima! 😉

asl

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Dicas de Leitura Prática -As Cem Melhores Crônicas Brasileiras

Se você não tem o hábito da leitura e quer ter ou se o seu tempo para ler é escasso, uma boa dica é investir em compilações de contos e crônicas, pois elas são bem mais práticas que um romance.

Você pode ler um conto ou crônica por dia, o que significa em média 2 ou 3 páginas apenas, e levar o tempo que quiser para concluir o livro sem viver a ansiedade pelo fim.

Outra vantagem das coletâneas é a diversidade de referências, já que você entra em contato com autores de quem nunca ouviu falar e pode consultar a obra deles posteriormente.

Eu, por exemplo, nunca tinha lido Rachel de Queiroz e depois da crônica “Talvez O Último Desejo“, que me emocionou profundamente, eu resolvi incluir a escritora na minha lista de leituras futuras.

Também decidi dar mais atenção para outro escritor importantíssimo para a crônica brasileira, que é o João do Rio. Eu já tinha lido um conto dele “O Bebê de Tarlatana” (ótimo por sinal), mas simplesmente esqueci de me aprofundar.

Como se não bastasse tudo isso, neste livro ainda contamos com uma variedade de assuntos para ninguém botar defeito. Você terá 100 histórias com as quais se envolver. Cem!!!Dá para se entediar? Claro que não, né?

Agora, vamos às considerações mais específicas sobre o livro.

Li em voz alta a grande maioria dos textos para “sentir” a melodia de cada um deles, tudo entre gargalhadas, reflexões, garganta engasgada e, em alguns casos, até lágrimas.

Para mim, o melhor do livro encontra-se até a década de 70. Depois desse período, os textos bem escritos e com casos interessantes foram ficando cada vez mais rarefeitos. De qualquer forma, eu amei a leitura e ganhei novos nomes para a minha investida como cronista.

Maiores Vantagens do Livro

  • Riqueza de estilos, temáticas e estética – Ter num único livro nomes como Machado de Assis, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector, te dá uma visão panorâmica sobre como cada um desses gigantes estruturava a sua escrita. Com isso você acaba desenvolvendo um olhar mais sutil para as diferenças entre o trabalho dos autores, bem como dos temas que eles costumam abordar.
  • Informações extras – A cada passagem de época, há uma pequena descrição sobre o que estava acontecendo com a crônica e o Brasil naquele período. Mais uma vez ganhamos amplitude.
  • Referências bem catalogadas – Nas últimas páginas você pode consultar os autores de duas maneiras: pelo índice de autores (para quem quer saber em quais páginas encontrar o texto de cada um deles) e pela bibliografia (para quem quer rastrear o original onde cada crônica foi publicada).

Minhas Prediletas

De 1850 a 1920

  1. Modern Girls – João do Rio p. 29
  2. O Livreiro Garnier – Machado de Assis p. 41
  3. Um Mendigo Original – João do Rio p. 44
  4. As Cartomantes – Olavo Bilac p. 53
  5. O Dia de Um Homem em 1920 – João do Rio p. 57
  6. Genialidade Brasileira – Alcantra Machado p. 72
  7. Talvez O Último Desejo – Rachel de Queiroz p. 74
  8. Um Milagre – Graciliano Ramos p. 74

Década de 50

  1. Café com Leite – Antônio Maria p. 96
  2. Batizado na Penha – Vinicius de Moraes p. 97
  3. A Moça e a Varanda – Sérgio Porto p. 99
  4. Páginas das Páginas – Marques Rebelo p. 101
  5. Garbo: novidades – Carlos Drummond de Andrade p.115
  6. Complexo de Vira-latas- Nelson Rodrigues p. 118
  7. O Inferninho e o Gervásio – Stanislaw Ponte Preta p. 126
  8. Os Amantes – Rubem Braga p. 129
  9. A Bolsa e a Vida – Carlos Drummond de Andrade p. 137

Década de 60

  1. Conversa de Pai e Filha – Antônio Maria p. 155
  2. Gente – Elsie Lessa  p. 157
  3. Coisas Abomináveis – Paulo Mendes Campos p. 162
  4. Notas de Um Ignorante – Millôr Fernandes p.170
  5. A Última Crônica – Fernando Sabino p. 188

Década de 70

  1. Londres, Novembro de 1972 – Campos de Carvalho p. 193
  2. Herói Morto. Nós – Lourenço Diaféria p.195
  3. Um Lugar Ao Sol – Chico Buarque p. 201
  4. Os Abridores de Bar – João Carlos Oliveira p.213
  5. Morreu O Valete de Copos – João Antônio p. 220
  6. Medo da Eternidade – Clarice Lispector p.223
  7. Ser Gagá – Millôr Fernandes p. 225

Década de 80

  1. Ed Mort e O Anjo Barroco – Luis Fernando Veríssimo p. 233
  2. Zero Grau de Libra – Caio Fernando de Abreu p.255

Década de 90

  1. Sobre o Amor – Ferreira Gullar p.279
  2. Minhas Bunda – Mario Prata p.287

Anos 2000

  1. A Mulher de -Marcelo Rubens Paiva p.319
  2. Meu avô foi um belo retrato do malandro carioca – Arnaldo Jabor p. 331

Dica Final

Antes de começar a ler o livro, escolha uma forma fácil e eficiente para marcar as páginas que você mais gostou. Assim dá para fazer um balanço final sobre os autores de sua preferência ou reler as crônicas que mais lhe chamou atenção.

Eu usei post it. Dê uma olhada no arco-íris! 🙂

cr

Bom, é isso, pessoal. Espero que tenham gostado das dicas. Quem tiver lido o livro e quiser contribuir com mais informação, por favor deixe nos comentários.

Beijos e até a próxima! 😉

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