Estado Islâmico – Mais Uma Podridão Humana

A noite começa com uma comovente reportagem do jornalista Yan Boechat sobre a guerra no Iraque.

Auditório lotado em plena quinta-feira para ouvir sobre disputa de poder, religião e política na Casa do Saber.

Compreender as disputas e reviravoltas no Oriente Médio em duas horas de palestra estava fora de cogitação. Com sorte, em alguns anos de estudo minucioso eu chegaria a uma ideia mais ou menos encorpada sobre o que anda acontecendo por lá. Mas os relatos do Yan me ajudaram a atenuar, de uma maneira bem franca e panorâmica, essa visão monocromática que acabamos tendo sobre o assunto.

Cheguei curiosa, saí ainda mais convicta de que, quando queremos,

nós somos a escória do mundo!!

A magnitude da nossa baixeza é catastrófica e imperdoável, posto que temos cérebro e bilhões de neurônios.

Por poder territorial, político, religioso e econômico

perseguimos torturamos matamos estupramos

fabricamos órfãos e viúvas em série

dizimamos famílias

devastamos sociedades

cunhamos nas vítimas que sobram

uma obsessão por vingança que renova anos após anos,

décadas após décadas o mesmo vício

de dor

destruição

e

sangue

de polo a polo

 

Eu adoraria acreditar na possibilidade de um mundo sem guerras e disputas intratáveis, mas COMO?

Sob qual pretexto?

 

O que falta ao bicho homem pra que ele pare de construir sua fortuna à custa da miséria alheia?

O que lacra a sua capacidade de ver o seu semelhante como alguém igualmente merecedor de respeito, liberdade e dignidade?

 

Onde termina o fundo desse poço?

Como se preenche a vacuidade dessa alma?

 

Eu não sei!

menino

 

 

E se tudo der errado?

Os desejos mais entranhados acalentam e desesperam

porque são ninho e nudez.

Se vivemos apenas sua forma encenada, que reside nos sonhos a olhos despertos, mas que em nada modifica o transcorrer da vida, eles simplesmente amornam a frieza dos dias banais multiplicados em lotes na rua, na cama e no trato com os outros;

Se os queremos mais sólidos e infiltrados na realidade, toda a sorte de aflições e fatalismos perfura a mente ao pensarmos na dor do fracasso.

 

E se tudo der errado?

Se eu falhar na rota?

Se minha carência de método me deixar exposta?

Se o peso da minha ignorância me arremessar num abismo?

Se eu não for competente o bastante, o que eu faço?

Se todos me verem tombar, o que eu digo?

 

Digo que sou HUMANA e isso pressupõe, rigorosamente, uma natureza aberta a aprimoramentos, onde o erro mora ao lado do acerto e as ambivalências são a matéria-prima de cada átomo que compõe minha substância.

Jamais serei 100% forte, serena e coesa

Jamais serei 100% frágil, vulnerável e passiva

porque meu destino é ser múltipla, híbrida.

 

Sou feita de choro e desgostos;

sou feita de risos e dádivas.

E que assim seja até o último suspiro.

 

Eu, que sou o centro do universo, merecia muito mais da vida

Na cabeça, um ideal de família; utópico, enfático e apartado dos seres envolvidos; no peito, uma revolta ruminada por anos sem fim nem critério:

Se minha mãe fosse mais competente,

se meu pai fosse menos omisso (ou não tivesse me abandonado),

se meus pais fossem menos protetores,

se eles fossem mais presentes,

se eles se amassem,

se eles não se odiassem,

se eles amassem menos um ao outro e mais a mim,

se eles se ocupassem mais de si e me deixassem em paz,

se eu fosse filha única,

se eu tivesse irmãos,

Se minha família não fosse tão medíocre em relação à grandiosidade da minha própria existência de semideusa erroneamente condenada à vida na Terra (e com esses pobres diabos), tudo seria perfeito!

E eu seria e teria tudo aquilo que “mereço” por direito supremo e soberano.

Como não é bem assim, eu me arrasto pela vida costurada a um pedestal de vítima do mundo, exigindo pateticamente ser ressarcida por cada lágrima, decepção e ofensa sofrida;

porque eu MEREÇO mais da vida!

Porque minha dor e carências são maiores que as deles (os pais) e de todo o resto da humanidade viva, morta, apodrecida desde o início da espécie.

Sem contar que eu, no lugar deles, seria mais amorosa, responsável, provedora, consistente e coerente com meus filhos; ou não cometeria a estupidez de tê-los já que parir é tão cafona e ultrapassado.

Mas se um dia,  meu “eu faraônico” parar de odiar e/ou competir com meus pais, talvez eu me banhe na fonte da sabedoria, que é translúcida, pura, desapaixonada e serena, e volte para o convívio com eles e os outros mais humilde e razoável.

E então, com uma percepção mais panorâmica (e menos egocêntrica) do que é a Vida  cunhada em seres humanos que pensam, amam, odeiam, sangram, ferem, temem e agem sempre à luz da sua própria ignorância/consciência (que é deles e não minha), eu finalmente entenda que cada um (inclusive eu) dá aquilo que tem e nunca o que os outros, por alguma razão legítima ou caprichosa, esperam receber. E que relações vividas a partir de uma negociação realista de demanda/oferta e afinidades são muito mais prazerosas e significativas.

Rótulos, papéis e hierarquias à parte, somos apenas presença humana diante de outras presenças humanas. E o amor só nasce quando essas presenças humanas se notam e se aceitam com clareza de olhos e almas. Em todos os outros casos, tudo não passa de formalidade e cegueira generalizada.

 

O que eu faria sem os “Nãos” da vida?

Eu era bem jovem. Talvez uns 12/13 anos. Queria aprender inglês para morar na Inglaterra e ser escritora bilíngue também, mas minha família não podia pagar por um curso.

Eu poderia ter desistido ou jogado o projeto na gaveta de “coisas que farei quando tiver um emprego/dinheiro”. Mas optei pela rota que as pessoas mais pobres de recursos e não de iniciativa sempre escolhem:

Eu decidi me virar com o que tinha.

Comecei a traduzir as minhas músicas prediletas (do meu jeito, é claro)

Fui a um sebo e comprei uma gramática inglesa da Cambridge (porque eu sou Posh, desculpa aí!!)

Passei a escrever em inglês no meu diário – Levava 10 anos para terminar uma página e meu sexto sentido dizia:

tá uma merda, mas vá na fé que um dia melhora.

Passava horas no quintal de casa cercada de anotações e nem aí para novelas, esmaltes, crushs (que na minha época tinha um nome bem menos gourmet) ou qualquer coisa que, geralmente, ocupa a mente das adolescentes.

Já na era do MSN (sim, estou ficando meio passada), eu parti para os bate-papos com falantes de inglês. Sentava na frente do PC, abria o meu hiper mega blaster dicionário Michaelis (de papel) e fazia o que dava:

praticava o que sabia (ou pensava que sabia), passava vergonha com meu portunhês de raiz, me divertia quando o papo era bom, vibrava com qualquer elogio e me desviava das taradices de uns e outros.

Dessa época, eu guardo um grande amigo inglês que não conheço pessoalmente, mas com quem tenho conversas incríveis até hoje. Na minha crise de 2016, ele era uma das companhias mais preciosas que eu tinha.

Valeu, Dan.

Valeu, WhatsApp! 🙂

Só fui fazer curso de inglês quando estava na faculdade de Letras e no modo relâmpago, já que me nivelaram no último livro e eu peguei meu certificado em 2 meses.

Numa ida à unidade pra fazer sei lá o que, eu descobri que me chamavam de “a mutante” por causa do tempo um tanto apressado em que concluí o curso. Carinhosos, não?

Graduação em Letras, trabalho em transatlântico norte-americano, vida no exterior e TUDO isso por causa do que a Aline adolescente escolheu pra si há quase 20 anos.

Por ter decidido plantar em vez de me lamentar, acabei colhendo frutos muito mais suculentos do que o esperado. E hoje, quando me pego esparramada numa poça de preguiça e corpo mole, eu me lembro dessa menina sem eira nem beira que foi tão confiante, estratégica e disciplinada.

Eu devo à ela tudo que conquistei na fase adulta.

E quando o sonho parece muito distante da minha realidade?

E quando eu desejo algo com toda a minha audácia, mas na hora da prática, empaco?

Bom, nessas horas, digo a mim mesma:

SE JOGA!

Dê o primeiro passo!

Saia do zero a zero!

E quando chegar lá, a gente vê!

 

Dica do Dia

Se você quer muito conquistar algo, comece AGORA, criatura!

Essa coisa de:

amanhã eu faço,

quando eu tiver isso/aquilo, eu começo

Se não fosse por isso/aquilo, eu faria

não passa de fuleragem do demônio preguiçoso, lamuriento e desgraçado que habita as mentes de todos nós.

Não caia nessa senão a vida passa, os sonhos desbotam e todo o viço mingua.

Não vai ser tão fácil quanto se acomodar em qualquer zona de conforto empoeirada, mas se você escolher o que, de fato, lhe enche de entusiasmo, a colheita pagará cada punhado de tempo, energia e vigor investido.

E o que os outros vão pensar?

Quem não vive com essa frase ecoando na cachola que pegue sua carteirinha de iluminado(a) e ascenda ao céu imediatamente!

Somos todos podados pela influência dos outros, somos todos criadouros das vozes do mundo, que surgiram primeiramente na forma de mãe/pai e, com o tempo, foram se multiplicando e adquirindo mais complexidade.

Até certo ponto, essa repressão é positiva e muito saudável. Tenho pavor de imaginar a natureza humana 100% orgânica, extra virgem e cultivada sem nenhum aditivo educador.

Quanta fúria e absurdos não cuspiríamos a torto e a direito?

Quanta gente eu não socaria até a morte?

Não, a nossa caixa de Pandora não deve ser escancarada, pois nos comeríamos vivos em dois tempos, a começar pela própria família. E bye bye humanidade!

Mas toda forma de extremo resvala em doença.

Um ser humano que vive pra não desagradar, almejando tornar-se o suprassumo da adequação e bondade, contraiu uma das demências mais insuportáveis que há.

[Sem contar que não há vida que prospere sem uma ótima dose de autonomia existencial]

Saí de casa aos 19, morei em vários lugares, dei uma boa volta ao mundo, me casei, descasei, quebrei a cara umas 377 mil vezes, vivi momentos incríveis umas 100 mil vezes e cá estou, quase com 30, mais solta e convicta de quê:

vale MUITO a pena ligar a tecla “foda-se” toda vez que as vozes dos outros empatarem o fluir natural do meu bem-viver;

vale MUITO a pena assentar-me debaixo da minha PRÓPRIA consciência e fazer o melhor que eu puder com os recursos disponíveis sem perder tempo me comparando com os demais;

vale MAIS a pena ainda me perceber numa jornada ÚNICA e INTRANSFERÍVEL de descobertas e aprendizados, onde as experiências dos outros servem apenas de inspiração, mas nunca de molde.

E o que os outros vão pensar?

Problema deles

#NãoSouObrigada

Vida de Tradutora Autônoma – trevas e luxos

Em comemoração aos meus quase 7 anos de tradutora, nada mais justo do que discorrer sobre essa caminhada um tanto extensa que não só viabilizou grande parte das minhas aventuras como também moldou a minha visão de mundo.

No começo, eram as trevas

Cortei um dobrado prestando serviço pra agências pequenas. Ganhava mal, trabalhava no limite e pra coroar, levei um baita calote de um cliente que não só faliu como também morreu.

Lembro-me bem daquele aniversário de 24 anos que passei sem um puto no bolso, apesar de ter trabalhado freneticamente o mês todo. Chorei de raiva, nem quis sair pra comemorar e pensei seriamente em desistir. Mas aos poucos o caminho desembaçou e fui me situando.

Minha maior dificuldade sempre foi e continua sendo o mercado – fechado e bem difícil (pelo menos para mim e minhas amigas tradutoras). E com o trauma dos calotes já no início, fiquei mais ressabiada ainda em me arriscar por novos caminhos.

Também sofri com os efeitos colaterais da minha preguiça escandalosamente agravada pela profissão.

Tornei-me ainda mais sedentária, quase desenvolvi tendinite, ganhei uma baita sensibilidade à luz, além da apatia generalizada. Pra eu me tirar de casa, preciso inventar mil e um malabarismos e driblar essa vontade louca de me calcificar na cama sem pensar no amanhã.

Mas os ganhos são fenomenais! Aprendo tanto sobre uma infinidade de assuntos que é impossível não me sentir privilegiada.

Eu me especializei na tradução técnica de patentes de invenção e, nesses anos, raramente tive contato com outros tipos de textos, o que tem seus prós e contras.

O lado negativo é que tenho pouca familiaridade com o inglês coloquial. Passo perrengue com termos comuns e expressões idiomáticas. Pra mim, é muito mais fácil traduzir a estrutura de uma aeronave, um método novo de cateterismo ou as últimas inovações no mundo do TI do que dar conta de um diálogo ou entrevista simples.

Sem contar que o tédio me ronda com muito mais frequência, principalmente quando o assunto em questão é muito abstrato para mim. Consigo me entreter de boa com automobilística, medicina e farmácia. Mas que diabos é geofísica, petróleo e gás, metalurgia?? Dá vontade de chorar ou cometer um assassinato em massa.

E quando o texto está mal escrito? Oh, céus! Aí a raiva  evolui para um desejo mórbido de começar a Terceira Guerra Mundial (ou pelo menos sair correndo pelada na rua).

É triste ter que desenvolver telepatia para fazer seu trabalho sossegada. O lado bom é que hoje, só pelo tipo de mancada no texto, eu sei se ele foi traduzido do alemão, japonês ou de alguma língua latina. Ah, meus poderes mediúnicos! 🙂 🙂

Outra vantagem é uma visão muito mais realista e construtiva. O princípio de toda invenção tecnológica é o avanço. Essas mentes brilhantes que existem por aí (mais especificamente nos países desenvolvidos) trabalham para tornar tudo melhor, mais simples e mais barato. E aos poucos, eu fui incorporando esse arquétipo científico/empreendedor com o qual me envolvo diariamente.

Pra mim, é tudo uma questão de método, rota, planejamento, tratamento de dados, solução de problemas e balanços.

Preciso dizer que sou pragmática até o talo? E que também não acredito em sucesso milagroso?

Mas nem tudo é razão. Há muito de criatividade e variantes peculiares também, pois a vida sempre extrapola os enquadramentos lógicos que nós usamos para manipulá-la. Por isso, meu lema é ter sempre:

método e alma

E de tudo que eu ganho com essa profissão, dois tesouros me enchem de viço:

fonte abundante de conhecimento e desafios – a cada projeto novo, o ciclo de aprendizado recomeça e eu preciso mesclar técnica e sensibilidade para dar ao texto o tratamento necessário.

liberdade e mais amplitude – havendo wifi, tomada, um assento e silêncio, qualquer lugar é lugar para mim neste mundão. Tanto faz o país. Eu me viro!

Mas calma!Não vá pensando que a minha vida é sombra e água fresca!

O negócio é zero glamour e muito esforço.

Encaro jornadas de 10-15 horas diárias quando o projeto é grande, complicado ou com prazo de entrega curtíssimo.

Fim de semana e feriado livres só tenho quando a agenda permite, o que raramente ocorre.

Se tem tradução, eu ganho. Se o momento é de penúria, fico a ver navios. Então, além de ganhar dinheiro, também preciso saber como gastá-lo e fazer minha reserva.

Não tenho direito a férias remuneradas, décimo terceiro, FGTS, auxílio desemprego e NADA dessas benesses da CLT. Contribuo com o INSS e pronto. Se eu não quiser trabalhar até morrer, terei que fazer meu pé de meia. Simples assim. E quando quero dar um break, lá vem a hora do planejamento de gastos e tudo mais.

Resumo da Ópera

Vida de tradutora autônoma não é pra todo mundo, pois o perfil exigido é de alguém capaz de:

viver lendo e aprendendo PARA SEMPRE – Se você é do tipo que sonha em conquistar um diploma e parar por aí, esqueça!

ter iniciativa e MUITA autonomia – Pessoas que precisam de um chefe cobrando e fiscalizando para render, nem tentem. Você é seu patrão e ninguém mais. Se der conta, progride, se furar com os clientes ou entregar uma tradução com baixa qualidade, tchau!

ser organizado e gostar de planejar – Tudo precisa ser calculado: preço da tradução, prazo de entrega, rendimentos mínimos para cobrir as despesas mensais, porcentagem de impostos, grau de dificuldade do texto e umas coisitas mais.

Se penso em largar tudo e ter mais segurança? Claro!

Nem sempre é agradável ter tanta incerteza e responsabilidade nas costas. E de tempos em tempos, sofro uma crise profunda de desencanto com o meu trabalho, o que compenso preenchendo meus dias com novidades, lazer e outros tipos de experiências. Dali a pouco, a pirraça passa e faço as pazes com minha sopa de letrinhas outra vez.

E de uma coisa eu tenho certeza:

Estou e sou tradutora, não só de patentes de invenção, mas de tudo que me detém e intriga, o que inclui impulsos, pessoas, relações, conceitos e toda a sorte de coisas que  há no mundo.

Eu vivo pra traduzir a mim e aos outros

Eu vivo para criar pontes!

Melancólica, eu?

Não que eu alimente meu lado sombrio e temperamental. Muito pelo contrário. Mas já não ponho energia em escondê-lo, pois decidi transpô-lo com mais franqueza e desprendimento, tirando o maior proveito possível de suas causas.

Para mim, num mundo tão cheio de feiuras e sofrimentos, a ausência de arroubos melancólicos só seria viável pela força de um milagre ou da mais completa alienação; ou, quem sabe, por uma transcendência espiritual definitiva, a qual estou muito longe de possuir…

Minhas fontes de desgostos pessoais, todas associadas a momentos difíceis e idealizações infantis sobre mim mesma e os outros, andam à míngua desde que me pus determinada a curá-las, mas e os outros?

E essa horda de misérias humanas infiltrada por toda a parte, engendrada em todas as classes?

São tantas fomes, tantas dores

infligidas e sofridas…

Somos tão vulneráveis a tudo que corta e sangra

e tão inclinados a mágoas e vinganças….

No discurso abaixo, Angelina Jolie fala do grande dilema que vive ao se perceber tão privilegiada enquanto outras pessoas, com potencial e habilidades semelhantes ou até superiores aos dela não encontram a mesma chance.

O vídeo está em inglês e não tem legenda, pois não achei outra versão.

Meu temperamento melancólico não é recente e sempre dividiu espaço com uma dimensão mais alegre e otimista, talvez por eu ter sido inundada, ainda criança, por duas constatações antagônicas:

a vida é bela e merece ser desfrutada com muito vigor, entrega e autenticidade;

a vida é doída nas mais variadas formas e é preciso coragem para suportar seus momentos dilacerantes sem perder o brilho no olho e a esperança por dias melhores.

Dualidade, ambivalência….

 Abrigo para a luz e a escuridão

para a dor e a alegria.

E para os dias de tristeza, eu intensifico meu coro de gratidão por tudo aquilo que me torna, assim como a Angelina Jolie (só que em escala infinitamente mais modesta rsrs), privilegiada:

vida

saúde

afetos

liberdade

recursos materiais

horizontes contundentes para que eu me exerça e expanda com fluidez e amparo.

E seja lá o que me aconteça no transcorrer dos meus dias, que eu nunca, em hipótese alguma, me desvie da rota que multiplica e preserva todas as formas de bem-viver, posto  que a única maneira sustentável de se erradicar a miséria é cultivando a riqueza.

Idealizar é um Inferno!

O outro

não lê mentes,

não é servente

e

MUITO MENOS

capataz dos scripts que a nossa mente estipula.

[Mas algo dentro do homem acha que sim]

[E se mobiliza para viver de imperialismos]

Quer possuir dominar

submeter

Como se fosse possível

Como se fosse

decente…

VOCÊ tem que me amar

VOCÊ tem que me amparar

VOCÊ tem que me validar

VOCÊ tem que concretizar os sonhos

que EU sonhei (sem o SEU consentimento) para NÓS dois

VOCÊ tem que ME fazer feliz…

Como se fosse possível

Como se fosse

decente…

E lá se foi toda a beleza dos afetos

e o frescor da liberdade.

E aqui fincou-se uma podridão de desgostos

delirantes, caprichosos.

Muitos querendo MULETAS

Poucos se fazendo de ABRIGO

Todos amargando

o VAZIO!

 

O que aprendi morando em um país muçulmano

Vivi quase 4 anos na Turquia, país onde mais de 90% da população é muçulmana, e pude traçar na prática um comparativo razoável entre Ocidente e Oriente, o qual compartilho com vocês agora.

Com cultura não se brinca

Ela norteia absolutamente todas as escolhas, valores e pontos de vistas que cada um possui. Portanto, não dá para conviver com um muçulmano sem respeitar e negociar diretamente com seu contexto social.

Sem tolerância recíproca, nada feito!

Ocidentais e orientais muçulmanos podem conviver harmoniosamente sim, contanto que haja muito respeito e ambas as partes saiam da sua zona de conforto para se encontrar num meio termo.

Um dos lados se sacrificando para que o outro prevaleça dificilmente resultará em algo que se aproveite.

 Os limites são concretos

Por mais que haja boa vontade, certas diferenças culturais nunca sairão da categoria “absurdos do outro”, não importa o tamanho do esforço. Em vários aspectos, os muçulmanos nos acham depravados e nós os temos como extremados em sua moralidade.

Outra coisa perigosa é medir o outro com a nossa régua. Uma coisa que muitas brasileiras tentam é inverter a ordem de prioridades de um homem muçulmano, o que quase sempre termina em esforço inútil.

Nos países de origem judaico-cristã, aprende-se que, após o casamento, o foco da vida dos dois é essa nova união. Portanto, os pais do casal passam a ter relevância secundária.

Já na cultura islâmica, a ordem quase sempre não se inverte. Mesmo depois de casadas, as pessoas continuam dando aos pais importância superior ou no mínimo igual àquela dada à nova família, pois foram educadas para isso e é assim que se sentem socialmente coerentes.

Qual modelo é o certo? Qual modelo é o errado?

Bom, eu não acredito em certo e errado em escala tão genérica. Só sei dizer o que funciona para mim e o que não me convém.

Que cada um escolha aquilo que lhe agrade e respeite. E ponto final.

O bem e o mal são democráticos

Há coisas melhores do lado de lá e outras, do lado de cá. Eu amo a comida brasileira, mas o café da manhã turco dá de 7×1 no nosso e a culinária árabe é um caso à parte; o hábito (turco) de presentear noivos e recém-nascidos com medalhas de ouro, as quais podem ser trocadas por dinheiro, é simplesmente genial. Quantas vantagens teríamos se essa moda pegasse por aqui…

No entanto, as liberdades individuais conquistadas pelo Ocidente são um paraíso em comparação à realidade oriental e eu não as troco por nada nesse mundo. Com todos os problemas e, até mesmo excessos resultantes dos nossos valores mais “frouxos”, acho o Ocidente muito mais palatável em termos de diretos e tolerâncias à diversidade humana.

O terrorismo também é democrático

Terrorismo é coisa de qualquer ser humano fanático e canalha. Então, não me venha com a tosquice de associar todos os muçulmanos a essa maldade tão destrutiva. Isso é coisa de gente ignorante e preconceituosa!

Matamos em nome de causas na banda de cá e na banda de lá, infelizmente. A diferença é apenas o modo de se classificar o que é terrorismo e o que não é. Ambos os lados são coniventes com os seus e implacáveis com o outro, e a imprensa de cada um reproduz com fidelidade esse padrão tendencioso.

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Capadócia, Turquia.

Gosto de compartilhar minhas experiências com vocês porque acredito piamente no poder que exemplos concretos têm de substituir ideias dogmáticas por uma visão mais lúcida e experimentada do mundo.

E o que distingue uma pessoa ignorante de alguém consciente não é diploma, dinheiro nem classe social, mas o esforço genuíno para enxergar a realidade tal como ela é ao invés de viver para reforçar suas crenças.

Leia, escute, pondere, desbrave!

O mundo é muito mais rico e múltiplo do que supomos!

A. Oliveira