Paulistando Com Gosto

Faz quase dois anos que você me engole de um jeito intrigante.

Points artes caminhadas gramados lojas cinemas cursos eventos. Tudo tão diverso e simultâneo que chega a dar uma agonia só de pensar no que eu nem sei que perdi enquanto dormia, trabalhava ou lia As Aventuras de Sherlock Holmes jogada na cama.

Gosto quando está meio cinzenta, meio azulada. Essa sua indecisão faz a minha parecer mais normal e até dou risada.

Também faz bem quando me agrada com um de seus eventos de última hora, assim num lugar por onde eu passaria só por passar ou quando um friozinho se achega pelo fim da tarde e eu corro pro chá ou uma cuia de sopa.

Já me queixei da solidão que você exagera em escala faraônica

me irritei com o despropósito de gente que se espreme nos seus metrôs e cruzamentos em horários de picos

e muito me entristece a quantidade de pessoas morando em suas calçadas, praças, marquises e viadutos. Um desamparo que constrange e eu fico sem saber o que pensar. Nessas horas, bem que eu podia ser milionária ou herdeira da Rainha Elizabeth…

Mas o melhor de tudo são mesmos as pessoas. Quantos encontros bacanas você me arrumou hein? Nem daria pra contar.

Tudo bem que algumas foram pura furada, mas eu te desculpo porque o saldo está bem positivo.

Acho que sou uma sortuda no quesito metrópoles.

Istambul me acolheu como uma anfitriã que foi com a cara da hóspede.
Çok tesekkurler canim benim. En kisa surede geri donecegim.

E você tem compensado à altura mesmo não tendo aquele escândalo de paisagem às margens do Bósforos ou da zona sul do Rio.

Ah terrinha onde biscoito é bolacha… Nos pequenos e grandes contextos você me enriquece e por isso eu te amo assim do tamanho das marginais Pinheiros e Tietê juntinhas!

 

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Um ano de São Paulo – Que venham os próximos!

Na fila da memória eu cheguei com 1 semana de atraso achando que estava na disciplina. 🙂 🙂

Neste mesmo mês, em algum momento depois do dia 10, eu chegava à Sampa para estudar e fazer um test drive, em 2016.

 

A intuição dizia

Você vai amar

 

O juízo cobrava

  • Experimente primeiro
  • Reúna bons motivos concretos
  • E então, se decida de vez

 

Meu sexto sentido ganhou.

Por mais que os primeiros meses tenham sido desafiadores, eu nunca cogitei a possibilidade de ir embora.

Quando me sentia exageradamente só ou tinha algum problema mais tenso pra resolver, a voz de fundo era sempre a mesma:

 

Volta pro Rio.

O que você está fazendo aí?

 

Eu respondia:

Mas eu me sinto tão bem aqui.

Não quero ir embora!

 

Quem disse que para valer a pena tem que ser perfeito e sem transtornos?

Quem disse que a cota de dúvidas e inseguranças desaparece um dia?

 

Amo São Paulo principalmente pelo oceano de possibilidades que ela me apresenta porque eu preciso me sentir minúscula e rendida às sucessões de caminhos e filtros.

Não nasci para excesso de rotinas e âncoras,

me sufoco com a tragédia das repetições agendadas

e a certeza de que tudo será como antes.

 

Para mim

cidade pequena, onde todo mundo se conhece e o tempo se arrasta sem pudores, só a passeio;

Comunidades homogêneas, condensadas na monotonia de tons e contornos, só para fins de curiosidade.

 

Gosto mesmo é do furdunço de caras e rotas destoantes,

exóticas.

 

Uma Paulista de domingo, com todas as tribos reunidas

o zanzar barulhento da 25,

as escadarias descoladas da Vila Madá

as galerias da Augusta,

o fuzuê do Brás

as quinquilharias da praça Benedito Calixto

padarias

shoppings

cinemas

centros culturais

o verdão dos parques oxigenando esta selva de pedra.

 

Muito obrigada, São Paulo pela hospitalidade de sempre.

Que venham os outros anos e que nunca nos falte pretextos para continuar nossa história juntas! 😉

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Estado Islâmico – Mais Uma Podridão Humana

A noite começa com uma comovente reportagem do jornalista Yan Boechat sobre a guerra no Iraque.

Auditório lotado em plena quinta-feira para ouvir sobre disputa de poder, religião e política na Casa do Saber.

Compreender as disputas e reviravoltas no Oriente Médio em duas horas de palestra estava fora de cogitação. Com sorte, em alguns anos de estudo minucioso eu chegaria a uma ideia mais ou menos encorpada sobre o que anda acontecendo por lá. Mas os relatos do Yan me ajudaram a atenuar, de uma maneira bem franca e panorâmica, essa visão monocromática que acabamos tendo sobre o assunto.

Cheguei curiosa, saí ainda mais convicta de que, quando queremos,

nós somos a escória do mundo!!

A magnitude da nossa baixeza é catastrófica e imperdoável, posto que temos cérebro e bilhões de neurônios.

Por poder territorial, político, religioso e econômico

perseguimos torturamos matamos estupramos

fabricamos órfãos e viúvas em série

dizimamos famílias

devastamos sociedades

cunhamos nas vítimas que sobram

uma obsessão por vingança que renova anos após anos,

décadas após décadas o mesmo vício

de dor

destruição

e

sangue

de polo a polo

 

Eu adoraria acreditar na possibilidade de um mundo sem guerras e disputas intratáveis, mas COMO?

Sob qual pretexto?

 

O que falta ao bicho homem pra que ele pare de construir sua fortuna à custa da miséria alheia?

O que lacra a sua capacidade de ver o seu semelhante como alguém igualmente merecedor de respeito, liberdade e dignidade?

 

Onde termina o fundo desse poço?

Como se preenche a vacuidade dessa alma?

 

Eu não sei!

menino

 

 

Delícias de São Paulo

Ah, como o bicho homem se encanta por agrados aos olhos e ao estômago!

Comer, beber e namorar as decorações de lugares bem apanhados é um aconchego na alma.

Casa Bauducco

Bauducco

Muuuitos panettones, cookies, biscoitos, chás, cafés e alguns salgados. Tudo cuidadosamente decorado. Conheço a unidade do shopping Vila Olímpia, mas para conferir as outras localidades, é só clicar aqui.

Talchá

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Outro lugar pra se sentir bem aninhado e servido.

Amantes de chá (como eu), lá vocês vão encontrar umas quinhentas mil variedades nacionais e internacionais para tomar no local e/ou comprar latinhas, frascos ou sachês.

Outra coisa legal é a opção de tomar o chá quente ou gelado. Confiram aqui mais detalhes e os endereços.

Saindo dos lanchinhos, vamos falar de comida quase turca porque eu saí da Turquia, mas ela não saiu de mim. 🙂

Restaurante Kalili

kalili

O único restaurante árabe em que já comi aqui em São Paulo. Comida boa e variada, algumas opções na brasa, além de quibes e esfirras.

Dá para fazer um lanche ou comer uma refeição completa. Gostei.Só sinto falta de um tempero mais carregado.

Há unidades nos shoppings Pátio Higienópolis, Bourbon, Vila Olímpia, etc.

E se a consciência pesar, uma horinha de bike no Parque do Povo, que é lindo, amplo e bem localizado.

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E se os olhos quiserem variar, Cine Itaú da Augusta (ou melhor, cines, porque são dois quase de frente um pro outro) com filmes e documentários fora da curva e novas referências.

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Sou novata por aqui, mas ando me achando com muita facilidade neste caldeirão de opções culturais e estéticas.

Nasci carioca, mas desconfio que meu temperamento é mais paulistano.

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São Paulo – Primeiras Impressões de Uma Carioca

Perto de completar 3 meses morando em Sampa, acho que já posso enumerar algumas observações um tanto consistentes sobre esta terra do corre e corre.

Infelizmente, eu não zanzei o quanto gostaria, mas mesmo assim, tenho os meus pitacos.

  1. Nomes de ruas e avenidas – Aqui é comum uma rua ter um nome até certa altura e de repente ganhar outro mesmo sem ter mudado de bairro. Já passei uns perrengues por isso e ainda não saquei a lógica da coisa.
  2. No Rio, para descer todo santo ajuda. Aqui parece que é o contrário. O que vejo de escada rolante para descer e escada comum para subir não está no gibi. Acho que os santos de São Paulo querem que a gente vença o sedentarismo.
  3. Paulistas não conhecem a palavra meio-fio. Para eles calçada já está de bom tamanho. Daí eu explico que meio-fio é a bordinha da rua e não por onde a gente caminha e ficamos entendidos.
  4. Definitivamente, São Paulo tem uma relação bem mais próxima com as línguas tupi e guarani. Os nomes de alguns bairros e ruas são tão exóticos para mim que alguns eu nem consigo pronunciar de primeira.
  5. Paulistas têm obsessão com a palavra vila. Existem pelo menos uns 357 bairros que começam por esse nome. Isso me lembra à Turquia, onde o costume é igual. Köy está por toda a parte. Kadikoy, Yesilkoy, Erenkoy, Bakirkoy…. Isso só em Istambul.

E eu vou parando por aqui porque não consegui lembrar de mais curiosidades e porque fazer um top 5 é legal.

Beijão!

Por que Escolhi São Paulo – Ou Como São Paulo Me Fisgou?

Uma carioca dizer que se identifica mais com a terra onde biscoito é bolacha soa como um sacrilégio porque como alguém pode trocar as belezas naturais do Rio pela selva de pedra de São Paulo?

Pois é….  Eu continuo amando o meu estado e sempre vou tê-lo guardado em um lugar exclusivo no peito, “but, however, meanwhile”, São Paulo fez bonito em vários quesitos.

  1. Mais variedade cultural – Eu sou fissurada, apaixonada, obcecada em eventos culturais relacionados principalmente a cinema, literatura e música. E aqui eu sei que há sempre muitas coisas acontecendo por toda a parte.
  2. Mais oportunidades de trabalho – Para quem é autônoma como eu e decide voltar para o Brasil bem no meio de uma recessão econômica, nada menos pior do que morar na cidade mais rica do país.
  3. MUUUITO mais opções de cursos livres e acadêmicos – É assombrosa a discrepância de oferta (desde aula de yoga a curso de filosofia) entre Rio e São Paulo nesse sentido. Ainda em Istambul, quando eu já zapeava pela Internet áreas de interesse, não era raro eu me irritar com os resultados de busca. A maioria de tudo que eu me interessava era em São Paulo.
  4. Clima beeem mais ameno e um inverno de verdade – Sim a carioca aqui odeia verão, sol escaldante e excesso de umidade, e para fechar com chave de ouro: eu não ligo para praia. Nada contra, gente. Só não está na lista das 30 primeiras coisas que eu penso em fazer com o meu tempo. Posso ter nascido no Rio, mas minha alma é vampiresca. Fazer o quê?
  5. Uma vibe que combina bem mais com o meu espírito – Esse é um daqueles critérios de seleção meio metafísicos. É como ir ou não com a cara de alguém. Não dá para explicar racionalmente as razões, mas você sente nos pequenos detalhes que está em um lugar com o qual possui uma correspondência profunda.

Bom, eu cheguei aqui literalmente ontem, apesar de já ter vindo outras vezes a passeio e a trabalho. Então, muitas águas ainda vão rolar. Mas independente do que o futuro trouxer, eu já me vejo morando aqui com tranquilidade, assim como em Istambul, o que me leva a crer que eu tenho uma alma bem vadia que se encanta facilmente e logo faz seu ninho.

Seja como for, São Paulo tem muito a me mostrar e eu quero saboreá-la sem pressa e com muito vigor!

Beijos e até a próxima. 😉

 

 

Gentilezas de São Paulo

  • Peço ajuda a um motorista para chegar num endereço, passo a roleta, me distraio e desço um ponto antes do local recomendado. Motorista segue seu caminho tranquilamente? Não. O ser gente boa, camarada manda eu voltar para o ônibus e me deixa exatamente na esquina mais próxima.
  • Mais uma vez estou eu em busca de uma rua. Vejo uma mulher vindo em minha direção e pergunto se ela conhece a bendita. Resposta negativa. Ela encerra o assunto e vai embora? Não. A outra alma iluminada tira o celular do bolso, liga o Google Maps e me mostra como chegar lá.
  • Versão perdida olhando para o mapa das linhas de metrô e trem de São Paulo, tentando descobrir a direção certa para mim. Uma mão toca o meu ombro:

– Moça, você quer ir para onde?

Eu respondo e ele me diz a plataforma e onde fazer baldeação.

Em matéria de experiências, eu sou uma otimista. Acredito piamente que ser gentil compensa porque a vida sempre retribui, e por onde quer que eu ande, Rio, Istambul, Itália, Paris….. e agora São Paulo, NUNCA me falta ajuda. Nunca. Sempre me sinto acolhida.

Eu sou a minha casa e o mundo é meu playground! 😉

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Um Domingo na Paulista

Vencido o desafio da minha chegada à terra onde biscoito é bolacha, me vi pronta para zanzar por uma das avenidas mais apinhadas da capital paulista em sua versão “de folga” – sem automóveis, stress e correria. Ou se preferirem, no modo “também sei relaxar”, com patins, bikes, skates, famílias, cachorros e tudo mais de que é feito um dia de domingo agradável.

O sol faz as honras da casa oscilando os termômetros entre 23 e 28 graus, e um morador se exaspera ao telefone:

– Está uma fornalha aqui, mano! MUITO QUENTE!

Como assim?! Consulto minha experiência em matéria de calor vulcânico duramente acumulada em 20 poucos anos de Rio de Janeiro e me escapam risadinhas irônicas.

Se o inferno realmente existe, um dos seus centros de treinamento intensivo está localizado bem ali em solo carioca, com destaque merecido para as bandas da Baixada Fluminense onde brisa de mar é lenda urbana e a quentura do asfalto compete com a de um incinerador.

Exageros meteorológicos à parte,  me atenho agora ao vai e vem das pessoas. O balanço é bonito e bem versátil. Aos poucos toda a sorte de tribos vai se apresentando nas pistas espaçosas da avenida.

Na ala dos atletas, destaque para o pessoal esbelto e com cara de boa saúde. Shorts, tênis e regatas; passadas firmes, corridinhas ou pedaladas pela ciclovia. E então identifico uma nova categoria de trabalho: “bandeirinha de trânsito” – funcionário provavelmente da prefeitura que faz as vias de semáforo humano organizando os cruzamentos com uma bandeira vermelha.

Com cara de tédio, ele se põe resignadamente de pé em frente à faixa de pedestre e de tempos em tempos, suspende a bandeira com firmeza e certo ar de autoridade. Ciclistas e pedestres param ao sinal do rapaz para que as pessoas possam atravessar sem risco de colisão. Está aí uma boa ocupação para quem gosta de tarefas com baixíssimo grau de dificuldade.

Mais à frente uma senhorinha dança animada ao som de um cover tosco de Elvis Presley. Apesar da qualidade duvidosa, ela parece satisfeita e transportada para os tempos de sua juventude.

Crianças eufóricas com o tamanho do seu playground, cãezinhos se abanando de alegria e adultos em conversas animadas vão desfazendo, ou pelo menos atenuando, a imagem do paulistano workaholic e sempre apressado.

O entardecer vai se chegando morosamente e eu me deixo sentar numa das esquinas para assistir ao melhor que os meus olhos e ouvidos capturaram do dia. Um belo show de jazz. Boa música para embalar os corpos, despertar os ouvidos e acima de tudo, afagar a alma de quem por ali passou e ficou.

Aline Oliveira

 

Carolina Zingler & Nunvens

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Sejam Bem-vindos!

Olá, meu povo! A blogueira aqui está de volta. E pela quinquagésima vez, estou criando um blog novo. Aqui estarão reunidos os meus textos e vídeos do canal NãoSouObrigada

A página #NãoSouObrigada continua, mas eu tive que criar este espaço porque a estrutura de uma fanpage é muito limitada em comparação com a de um blog. Aqui vocês poderão acessar o arquivo de posts, ler por categoria e voltar com muito mais facilidade a algum conteúdo específico.

Espero que gostem do espaço e colaborem com sugestões de temas e melhorias.

Ah, e agora eu também sou moradora de São Paulo. Vim para estudar e desbravar a Terra da Garoa. Aguardem porque haverá muitos posts sobre essa nova aventura minha. 🙂

Beijão!

Aline Oliveira.

Conheçam também meu canal! 🙂

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