Paulistando Com Gosto

Faz quase dois anos que você me engole de um jeito intrigante.

Points artes caminhadas gramados lojas cinemas cursos eventos. Tudo tão diverso e simultâneo que chega a dar uma agonia só de pensar no que eu nem sei que perdi enquanto dormia, trabalhava ou lia As Aventuras de Sherlock Holmes jogada na cama.

Gosto quando está meio cinzenta, meio azulada. Essa sua indecisão faz a minha parecer mais normal e até dou risada.

Também faz bem quando me agrada com um de seus eventos de última hora, assim num lugar por onde eu passaria só por passar ou quando um friozinho se achega pelo fim da tarde e eu corro pro chá ou uma cuia de sopa.

Já me queixei da solidão que você exagera em escala faraônica

me irritei com o despropósito de gente que se espreme nos seus metrôs e cruzamentos em horários de picos

e muito me entristece a quantidade de pessoas morando em suas calçadas, praças, marquises e viadutos. Um desamparo que constrange e eu fico sem saber o que pensar. Nessas horas, bem que eu podia ser milionária ou herdeira da Rainha Elizabeth…

Mas o melhor de tudo são mesmos as pessoas. Quantos encontros bacanas você me arrumou hein? Nem daria pra contar.

Tudo bem que algumas foram pura furada, mas eu te desculpo porque o saldo está bem positivo.

Acho que sou uma sortuda no quesito metrópoles.

Istambul me acolheu como uma anfitriã que foi com a cara da hóspede.
Çok tesekkurler canim benim. En kisa surede geri donecegim.

E você tem compensado à altura mesmo não tendo aquele escândalo de paisagem às margens do Bósforos ou da zona sul do Rio.

Ah terrinha onde biscoito é bolacha… Nos pequenos e grandes contextos você me enriquece e por isso eu te amo assim do tamanho das marginais Pinheiros e Tietê juntinhas!

 

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São Paulo – Primeiras Impressões de Uma Carioca

Perto de completar 3 meses morando em Sampa, acho que já posso enumerar algumas observações um tanto consistentes sobre esta terra do corre e corre.

Infelizmente, eu não zanzei o quanto gostaria, mas mesmo assim, tenho os meus pitacos.

  1. Nomes de ruas e avenidas – Aqui é comum uma rua ter um nome até certa altura e de repente ganhar outro mesmo sem ter mudado de bairro. Já passei uns perrengues por isso e ainda não saquei a lógica da coisa.
  2. No Rio, para descer todo santo ajuda. Aqui parece que é o contrário. O que vejo de escada rolante para descer e escada comum para subir não está no gibi. Acho que os santos de São Paulo querem que a gente vença o sedentarismo.
  3. Paulistas não conhecem a palavra meio-fio. Para eles calçada já está de bom tamanho. Daí eu explico que meio-fio é a bordinha da rua e não por onde a gente caminha e ficamos entendidos.
  4. Definitivamente, São Paulo tem uma relação bem mais próxima com as línguas tupi e guarani. Os nomes de alguns bairros e ruas são tão exóticos para mim que alguns eu nem consigo pronunciar de primeira.
  5. Paulistas têm obsessão com a palavra vila. Existem pelo menos uns 357 bairros que começam por esse nome. Isso me lembra à Turquia, onde o costume é igual. Köy está por toda a parte. Kadikoy, Yesilkoy, Erenkoy, Bakirkoy…. Isso só em Istambul.

E eu vou parando por aqui porque não consegui lembrar de mais curiosidades e porque fazer um top 5 é legal.

Beijão!