Miss Fêmea Existe?

Assisti a um debate curioso entre uma ex-feminista e uma feminista vereadora.

Esperava mais das duas e também da mediadora.

Achei a conversa um pouco rasa e desorganizada. Mas já é um começo e nada nasce pronto.

Não faz muito tempo que tudo sobre nós era quase que exclusivamente pensado e divulgado por homens.

Da nossa alma ao que temos entre as pernas, eram eles a nos dizer e apontar peculiaridades, pequenez e/ou serventia.

Eram eles a nos estipular um caminho e também a delimitar os espaços geográficos e sociais por onde circularíamos, devidamente de acordo com a cor de nossa pele e o status da nossa casta, o que de certa forma, continua ainda vigente, porém, vem perdendo sua aura de sagrado.

Há muitos exageros e delírios nos discursos feministas que ando ouvindo por aí, assim como um mundaréu de disputas e acusações entre alas divergentes dentro e fora da mentalidade feminista.

Pra que essa gaiatice?

Faz-se muito mais por si e pelas outras no âmbito da prática e de debates não inflamados.

Mas acho importante esse fuzuê de pontos de vista e quero todas no balaio:

A dona de casa, mulher de um homem só

A solta no mundo com um milhão de aventuras e romances

A que gosta de macho

A que gosta de fêmea

A que curte qualquer ser humano que lhe encante

A que nasceu com xana

A que é mulher de alma…

E também os homens porque não acho graça em revanche e alternância de opressões.

Pra mim só não vale a estupidez da mentalidade estreita que julga como certo só o que cabe na sua própria cartilha e não estuda nem troca com o contraponto.

E muito bem me faz conviver com estilos mais à esquerda e à direita da minha própria trajetória porque num planeta com 7 bilhões de possibilidades existenciais, é uma burrice pensar que todos fluem de um mesmo leito e para um só destino.

 

Continuar lendo

Eu Sei dos Meus Privilégios

Continuo firme na minha escolha de não militar sistematicamente a favor de causa alguma por três motivos básicos:

  1. Não tenho vocação pra luta ideológica, muito menos para o seu marketing.
  2. Não sindicalizo o meu pensamento. Deixo-o selvagem, vadio e autônomo bem do jeito que ele gosta.
  3. Não acho possível que eu, com todas as lacunas e facetas ainda por compreender, caiba em uma ideologia, por mais ampla e complexa que seja. Não porque eu me ache insuperável e sim por entender que o discurso enquadrado pesa e cerceia as aspirações naturais de cada um.

Mas respeito e entendo perfeitamente quem tem suas bandeiras porque:

  1. Conheço meus privilégios. Em grande medida, meu desapego só existe porque eu nunca me senti tolhida, muito menos sabotada por ser quem sou.

    É claro que casos aqui e ali de destrato eu já vivi aos montes, mas nada comparado às vivências humilhantes e desumanas que muitas pessoas passam ao longo de suas vidas por fazerem parte de alguma minoria discriminada ou perseguida;

    E essa falta de hostilidade do mundo até me espanta, já que nasci mulher, pobre, negra e num país subdesenvolvido. Mas que assim permaneça porque #NãoSouObrigada

  2. A luta por um ideal pode servir como uma forma de cura dos traumas sofridos e de integração psíquica e social.
  3. Certos avanços sociais só são alcançados por meio de militância constante e bem estruturada. Sem os sutiãs queimados, as mulheres não seriam  livres como são, sem toda a pressão abolicionista, os negros não estariam onde estão. Porque milhares de mulheres e homens dedicaram (e até perderam) suas vidas em nome de um ideal de justiça e igualdade é que desfrutamos de tantos privilégios ainda negados a bilhões de seres humanos.

E contanto que a bandeira levantada não seja mais um meio de segregação e disseminação de ódio, tá valendo. Se promover mais consciência e conforto social, melhor ainda.

Mas eu permaneço ideologicamente desprendida e acreditando que nós só vingamos de verdade ao ar livre, com a mente escancarada pra vida e suas lições de unicidade a partir da aceitação das diferenças, sem dogmas nem cartilhas.

Que cada um se governe na medida que der

Na direção que quiser

Que cada um se acolha e se honre!

Continuar lendo