O Coleguinha Não é Nosso Tamagotchi

De um lado, o egoísmo estrutural que nos faz pensar em nosso próprio umbigo quase sempre, do outro a mania irritante de achar que a vida do outro é uma extensão siamesa da nossa. Estranho né, mas é bem assim que as coisas funcionam.

Fulana trai o marido, beltrano é beberrão, o filho da vizinha é gay, a filha da patroa dá para Deus e o mundo. E daí, gente?

Fico me perguntando que impacto prático isso tem nas vidas dos não envolvidos. Por que damos tanto ibope?

É claro que a fofoca é um mata-tédio clássico e eu não vou me fingir de santa. Evito o quanto posso, mas adoro ficar sabendo dos bafos em andamento. Só acho que muita gente perdeu (ou nunca nem encontrou) o bom-senso de discernir quando pode ou não dar pitacos na vida alheia.

Nesse quesito, eu sou radical. Cada um no seu quadrado, não se meta com as minhas andanças porque delas cuido eu (exceção aberta apenas para os íntimos que aturam meus desabafos de vez em quando).

Poucos privilégios me fascinam tanto quanto liberdade e privacidade. E acho a coisa mais chique do mundo aquelas pessoas que já vêm com um sensor de conveniência de fábrica, que pedem licença para entrar na sua vida e tocam o seu mundo com delicadeza.

Essas valem a pena abrir a porta, pôr a mesa e dizer: fique à vontade!

Beijos e até a próxima. 😉