Miss Fêmea Existe?

Assisti a um debate curioso entre uma ex-feminista e uma feminista vereadora.

Esperava mais das duas e também da mediadora.

Achei a conversa um pouco rasa e desorganizada. Mas já é um começo e nada nasce pronto.

Não faz muito tempo que tudo sobre nós era quase que exclusivamente pensado e divulgado por homens.

Da nossa alma ao que temos entre as pernas, eram eles a nos dizer e apontar peculiaridades, pequenez e/ou serventia.

Eram eles a nos estipular um caminho e também a delimitar os espaços geográficos e sociais por onde circularíamos, devidamente de acordo com a cor de nossa pele e o status da nossa casta, o que de certa forma, continua ainda vigente, porém, vem perdendo sua aura de sagrado.

Há muitos exageros e delírios nos discursos feministas que ando ouvindo por aí, assim como um mundaréu de disputas e acusações entre alas divergentes dentro e fora da mentalidade feminista.

Pra que essa gaiatice?

Faz-se muito mais por si e pelas outras no âmbito da prática e de debates não inflamados.

Mas acho importante esse fuzuê de pontos de vista e quero todas no balaio:

A dona de casa, mulher de um homem só

A solta no mundo com um milhão de aventuras e romances

A que gosta de macho

A que gosta de fêmea

A que curte qualquer ser humano que lhe encante

A que nasceu com xana

A que é mulher de alma…

E também os homens porque não acho graça em revanche e alternância de opressões.

Pra mim só não vale a estupidez da mentalidade estreita que julga como certo só o que cabe na sua própria cartilha e não estuda nem troca com o contraponto.

E muito bem me faz conviver com estilos mais à esquerda e à direita da minha própria trajetória porque num planeta com 7 bilhões de possibilidades existenciais, é uma burrice pensar que todos fluem de um mesmo leito e para um só destino.

 

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Fêmeas, Mulheres e Moldes

No último dia deste mês faço 3.0 com comemorações bem menos faraônicas do que eu imaginava para a ocasião.

Sim, é uma virada de página importante,  ritual de passagem e tal,

mas num plano alargado, não passa de um dentre milhares de simbolismos que criamos para decorar (ou complicar) a vida.

 

Que haja o essencial, então:

 

saúde, família

amigos

encontros

afeto

(E um pedido secreto atendido)

(E muita comida boa na mesa)

 

A crise dos 30 veio aos 28 porque eu gosto de precocidade.

 

É isso o que eu realmente quero da vida?

O que funciona pra mim?

Onde e com quem quero estar?

Isso vale? Não vale?

E o quanto vale?

 

Carreira divórcio sonhos  pazes com o passado

individualismo

generosidade

os outros

e

eu

LUTOS

choro cuspido

divã com o espelho

meu colo,

meu ninho

 

Hasodot é um filme israelense sobre mulheres e sua dinâmica asfixiada dentro de um mundo de homens.

“Como Nossos Pais” já marca a transição ou coexistência pouco pacífica entre os tempos de submissão e os de empoderamento feminino.

Tradições, feminismo, dramas familiares, sexualidade constrangida, amores,

tabus externos construindo amarras internas aqui,

ou encorajando transgressões ali.

 

Às vezes, a força do social entranha ainda mais correntes e trincheiras na alma das pessoas.

Em outros casos, o incômodo das feridas abertas é o que impulsiona nossos voos mais audaciosos.

 

Difícil saber o que vinga apoiado no quê.

Algumas mulheres são guerreiras por terem essência para isso ou pelo sangrar do chicote?

É uma questão de escolha ou falta dela?

Não faço a menor ideia…

 

Naomi e Michelle se apaixonam.

A primeira, austera e reprimida por fora. Filha exemplar, linda, inteligente, prendada, seca, impessoal, impermeável. Único traço de viço: a religiosidade.

Michelle = Criada na França, desbocada, presunçosa. Moderninha e rebelde por fora, tradicional e romântica por dentro. Quer casar e ter uma família normal. Abandona a amante por isso.

Para mim, a melhor fala do filme sai da boca de um homem – o noivo de Michelle.

“Não que eu seja especialista em assuntos do coração, mas entendo alguma coisa sobre música. Na música, você sempre aprende a tocar do modo tradicional, mas às vezes, o modo não tradicional é o certo”.

Um discreto “você e minha futura esposa podem se pegar à vontade”?

Talvez.

 

Amei esse trecho porque ele tem gosto de vida real e o que foi sugerido para questões amorosas/sexuais vale, na verdade, para tudo.

Quando acatar a hereditariedade dos costumes, normas e desejos?

Quando escrever uma nova história e ser revolucionária?

Está aí um prato cheio para os nossos nervos e neurônios.

 

Mulheres e homens de hoje vivem a angústia da liberdade, com seu mosaico de rotas e consequências que anima, desespera. É o drama do filme Efeito Borboleta vivido cada vez com mais nitidez para quem ousa notá-lo. Para todas as outras mulheres (e homens), a vida continua sendo como a de nossos pais.

 

Padrões de Beleza- Somos Nós que Bancamos

Todo mundo fala da ditadura da magreza, mas poucos ousam mencionar que as mulheres mais fora desse “padrão ideal” são as que sustentam o esquema, seja por indução, seja por vontade própria.

Faça as contas comigo: se no Brasil, a minoria usa manequins 34, 36 e 38, como é que musas fitness e famosas globais têm milhões de seguidoras nas redes sociais?

Quem está endossando esse negócio?

Quem está enchendo o cofre dessas beldades?

Se as mulheres são assim tão passivas nesse sistema opressor, por que as produtoras de conteúdo mais influentes do Youtube Brasil (plataforma supostamente mais democrática que a TV) reproduzem exatamente os mesmos padrões das outras mídias:

pele branca ou pelo menos não tão escura, feições europeias ou pelo menos não tão “africanas”, corpo esbelto ou pelo menos não tão distante dos manequins 36-38, nascidas ou moradoras das regiões sul/sudeste, classe média/média alta?

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Será que o problema está só na sociedade?

Do que mesmo esses veículos sobrevivem?

 Público = Patrocínio = Dinheiro = Poder Social.

Sem o nosso apoio, nada disso se sustentaria. Simples assim.

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Prêmio Geração Glamour
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Casa do Youtube Brasil

Então, precisamos falar com franqueza sobre algumas verdades.

O padrão esbelto e europeu é o mais cobiçado e, portanto, mais rentável socialmente não por força do destino, mas porque nós trabalhamos por isso ao longo da História. Uns impondo, outros acatando. É assim que se estabelece a ilusão de superioridade racial. É assim que continuamos fazendo no Brasil e no mundo. A hegemonia branca continua em pleno vigor e nada mudará até que as pessoas se conscientizem desse absurdo e comecem a fazer escolhas diferentes.

Não há nada de errado em ser branca, magra, rica e famosa. A perversão está na imposição desse perfil em detrimento de todos os outros. O que precisamos é de uma abertura para que os espaços públicos reproduzam com mais coerência a diversidade humana. Só isso.

A mudança só acontece de dentro para fora. Só acabamos com a escravidão porque os indivíduos resolveram dar um basta e se organizaram para isso.

O conceito de beleza é relativo, cultural e elástico. Portanto, quando começamos a nos expor a biotipos mais variados, a nossa opinião sobre o que é belo ou feio se transforma. Então, cuidado com os referenciais de beleza que você anda seguindo.

O mais inteligente é se inspirar em quem lhe serve de espelho mais ou menos imediato.

Ou seja, se você é negra e 90% do conteúdo que consome são de mulheres não negras isso provavelmente vai detonar a sua autoimagem.  O mesmo para as branquinhas que só acompanham mulheres bronzeadas, as mais encorpadas que seguem as magrinhas, as magrinhas que seguem as saradonas. É bom ter cuidado com esses desvios porque a exposição contínua a uma realidade muito distante ou até inalcançável acaba minando a nossa autoconfiança e a sensação de normalidade.

Já existem pesquisas sobre o quão piores as pessoas se sentem ao acompanhar os feeds de seus amigos nas redes sociais. E sabe por quê?

Porque sempre compartilhamos o melhor ou o menos pior de nossas vidas. E todo mundo acaba acreditando que os outros são mais felizes. Um ciclo vicioso que só promove inveja, competição e ressentimento.

O mesmo acontece com a ideia que temos de gente rica e famosa. Inconscientemente, todo mundo julga que a vida dessas pessoas é melhor, o que não necessariamente é verdade.

Então, faça um favor à sua sanidade:

Reveja seus referenciais, hábitos e consumos.

Antes de comprar uma ideia, se pergunte:

Isso vai me ajudar ou atrapalhar?

Isso é saudável para a minha noção de bem-estar e adequação?

Não adianta culpar o mundo e muito menos esperar que ele se conserte para que você possa viver em paz.

Cada um de nós precisa aprender a se gerir de forma autônoma, sábia e realista, ponderando sobre nossos desejos, ideais, frustrações e, principalmente, sobre o rumo que estamos dando para nossa vida.

Quem se sente vítima do mundo precisa de um espelho, precisa de consciência sobre si mesmo e das relações de causa e efeito.

Ou você se governa ou morrerá sendo massa de manobra de qualquer contexto à sua volta.

#NãoSomosObrigados

Top 5 – Vantagens de Ser Mulher

Até o início da minha adolescência, sentia um certo desdém em ter nascido mulher por perceber intuitivamente que ser homem era sinônimo de ser mais livre e menos julgado.

Com o tempo esse ranço passou e a cada dia que passa me sinto mais orgulhosa em ter cromossomos XX.

E pensando nisso esses dias, me veio a ideia de listar as vantagens de ser femme.

Vamos ao que interessa!

  1. O direito de ter e expor nossos sentimentos. A nós mulheres, o choro e os dramas são mais permitidos. Socialmente isso nos cai bem e não precisamos pedir licença para isso.
  2. Ter peitos. Para tudo que isso é o máximo! Minha comissão de frente é uma das coisas que me tornam mais feminina e eu ADORO tê-las.
  3. Uso maior da linguagem verbal. Não é segredo para ninguém que as mulheres, em geral, falam muito mais que os homens e tendem a ser mais capazes que os homens de traduzir seus estados de espírito por meio da fala.
  4. Poder pedir e usufruir do amparo alheio sem muitas censuras. Um homem que precise de colo ou ajuda financeira vai se ver bem mais restrito e intimidado porque a cartilha com o que um “macho de verdade” pode ou não fazer é bem rígida nesse sentido.
  5. Não temos que defender a nossa feminilidade tanto quanto os homens são induzidos a proteger a virilidade esperada deles. É claro que também somos cobradas no quesito aparência e bons modos, mas nada comparado à patrulha escrota que os rapazes sofrem para não terem atitudes tidas como afeminadas.

No final das contas, tanto homens e mulheres se beneficiam de privilégios e sofrem com os estigmas típicos de cada gênero. Então, não importa de que maneira você veio ao mundo, a sua natureza biológica sempre lhe proporcionará uma experiência agridoce. Que todos possam encontrar um lugar de conforto em si mesmos e viver bem conciliado com seus prós e contras.

Beijos e até a próxima! 😉