Ostra Feliz Não Faz Pérola

Seria ótimo poder aprender sempre com as experiências agradáveis e sutis, mas a verdade é que só o desconforto em forma de crises, rupturas, dores e/ou portas fechadas é que promove o nosso desenvolvimento mais profundo e nos faz passar de fase.

Quando tudo vai bem e temos exatamente aquilo que queríamos, nada de muito substancial acontece além do prazer momentâneo.

Minha vida sempre foi um eterno fazer e desfazer de malas, fechamentos e aberturas de ciclos e não raramente, percebi nos outros aquele olhar “você é louca”.

Sim, sou muito louca e totalmente avessa à chamada normalidade social, que não passa de uma convenção artificial incapaz de acomodar todos os sonhos e almas espalhadas por este globo giratório.

Então, vamos encarar essa bagaça de cabeça erguida que o lucro é maior.

Entre uma vida de banalidades que me rouba a alma e uma montanha de desafios que a torna mais robusta, eu fico com a segunda opção. Enquanto houver vigor e loucura dentro de mim, o tédio não me acha!

Continuar lendo

Dane-se a Eternidade – Prefiro a Certeza do Fim!

Mais uma vez, uma seguidora  lamentou o fim do meu casamento com a seguinte frase: “A gente casa para durar para sempre, mas infelizmente….”.

Ao ler essas linhas eu pensei:

Mas eu não casei pensando que seria pra sempre…. Aliás, eu NUNCA fiz nada com essa ilusão e talvez seja por isso que vivo os momentos com tanta intensidade, bebendo até o último gole da experiência.

Vai ver é justamente essa minha certeza de que nada é eterno, exceto a mudança, que me permite fechar ciclos, trancar portas, olhando para trás bem raramente.

Não, eu não casei achando que duraria até que a morte nos separassem e acho que grande parte das pessoas pensa o mesmo (vide a alta taxa de divórcios), mas por uma questão de valores ou de etiqueta, nem todo mundo assume a realidade de que tudo na vida tem um quê de loteria – casamento, filhos, carreira, etc.

O investimento feito hoje pode se tornar completamente desastroso ou sem sentido daqui a alguns anos, pois na hora em que assinamos o contrato não fazíamos a menor ideia do montante final de riscos e sacrifícios requeridos, muito menos das circunstâncias novas que surgiriam com o tempo.

A Aline de hoje pensa, deseja e escolhe de acordo com o seu grau de consciência e necessidades. A Aline que irá colher o que está sendo plantado hoje pode não achar tão incrível essa decisão. Então, já desencanei dessa busca por coerência e linearidade. Pura furada, a vida é doida de pedra e eu não fico atrás.

No fundo, vivemos mesmo movidos pela esperança, a esperança de que continue valendo a pena e de que o bônus supere o ônus.

5 Coisas que Descobri Olhando para Dentro

Para quem não sabe, eu medito diariamente há mais de um ano. Depois de um esgotamento emocional tenebroso que coincidiu com crise vocacional, divórcio, perda do meu pai e mudança de país (sim, tudo isso aconteceu ao mesmo tempo), eu fui obrigada a investigar o que estava me acontecendo para tentar juntar os cacos que sobraram.

Fiz terapia alternativa por 2 meses e a meditação complementou o tratamento com maestria. Aliás, acho muito pouco provável que aquela criatura, que já estava passando o dia inteiro debaixo das cobertas totalmente trancada nas suas loucuras internas, tivesse tido forças para se levantar sem um refúgio tão maravilhoso como esses.

Os primeiros meses de prática foram de alívio da tensão e liberação de muito conteúdo negativo.

E aí eu descobri a minha tendência em reprimir meus sentimentos em um nível tão violento que a impressão que dá é que eles nem existem.

Eu sei que eles estão escondidos em algum lugar porque o meu corpo dá sinais (boca amarga, refluxo, vontade de fugir, apatia, isolamento exagerado, etc.), mas eu tenho muita dificuldade em identificá-los e, principalmente, em deixá-los fluir livremente. Acho que trouxe isso da infância, pois eu era aquela garotinha que engolia o choro a todo custo para não confessar suas dores.

E só depois que eu me livrei desse lixo acumulado por muitos anos é que os outros benefícios da meditação surgiram. Foram e têm sido descobertas incríveis para mim e quero dividi-las com vocês.

  1. Eu sirvo de morada para pelo menos umas 10 personalidades diferentes e de 5 a 100, acho que tenho todas as idades. A brincalhona, a birrenta, a mimada, a sonhadora, a adolescente rebelde, a mulher de quase 30, a velhinha de 85 anos, a melancólica que luta contra a apatia (essa faz a festa na TPM) e por aí vai.
  2. Quando estou em paz comigo mesma, vejo o mundo com muito mais leveza. Se me afasto de mim ou deixo a cabeça lutar contra a minha natureza, a vida fica zoneada ao extremo. O que se passa aqui dentro reflete decisivamente nos acontecimentos lá fora.
  3. Quase tudo é transitório. Sentar em silêncio por alguns minutos me fez perceber que 90% do que eu penso que sou não passam de fogo de palha.São pensamentos, sensações, impressões, lembranças que vêm e vão como meteoros. Pura bobagem. E talvez 10% (número hipotético) representem algo de essencial e duradouro.
  4. O corpo denuncia TUDO o que se passa dentro de mim. Então, qualquer desconforto persistente eu considero como um sintoma de algo maior que está me acontecendo. Hoje eu sou capaz de ler minhas respostas corporais com muito mais clareza.
  5. Descobri meu ponto de equilíbrio na vida e ele não tem nada a ver com conquistas externas. Já viajei bastante pelo mundo, ganhei uma boa soma de dinheiro, cultivei amizades e alguns amores, tive ótimas experiências, mas NADA, absolutamente NADA disso me trouxe mais bem-estar e contentamento que a meditação. A sensação de conforto, paz e nutrição que sinto quando atinjo certo nível de relaxamento é indescritível. As palavras não alcançam porque a experiência não é deste mundo!

Continuar lendo

Convicta aos 20, Indecisa aos 30

A frase “Sei que nada sei” só poderia ter sido dita por um gênio mesmo, porque quanto mais ignorante a criatura é, mais certezas esbraveja pelos quatro cantos da Terra.

Aos 20 eu tinha 100% de convicção sobre o que queria, o que não me servia e, pasmem, quem eu era. (Pausa para aqueles risos descompensados que esvaziam os pulmões).

Hoje com quase 30, estou começando a me dar conta de que o que sei é meia gota e o que não faço nem ideia de que existe é oceano (na verdade, é a soma de todos os oceanos deste e de todos os outros mundos onde exista água).

E tudo bem!

A vida é para ser vivida e não intelectualizada.

O tanto de ciência que preciso ter sobre ela para não me sabotar em tempo integral se acomoda bem nos meus domínios.

Aprendi a lidar com as poucas crenças que me restaram e até a apreciar essa mobília minimalista que se instalou por aqui.

As coisas que ando lendo e fazendo só desmantelam ainda mais minha ilusão de segurança e, passado o chororô do apego, eu me sinto o máximo.

É como se livrar de 1 tonelada de tranqueiras e, em vez de se sentir perdida, descobrir que era exatamente esse excesso de distrações que estava embaçando a visão.

Às vezes, a vida me deixa nua para eu perceber que aquela roupa era apenas um acessório e não a minha pele.

Beijos e até a próxima!

a21